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O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou, nesta terça-feira (06/10), a defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo fim da escala 6×1. Flávio classificou a iniciativa como “oportunista” e defendeu uma alternativa baseada na liberdade de escolha da jornada de trabalho, com remuneração proporcional às horas trabalhadas. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o Senado iniciou a discussão, em plenário, da proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe a redução salarial.
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Após reuniões no quartel-general da campanha, em Brasília, Flávio afirmou que sua proposta permitiria ao trabalhador definir os próprios horários conforme suas necessidades. Como exemplo, citou mães que não conseguem cumprir uma jornada de oito horas por dia por não terem com quem deixar os filhos. Segundo o senador, a ideia prevê a concessão de vouchers para custear vagas em creches privadas quando não houver disponibilidade na rede pública. Com isso, essas trabalhadoras poderiam optar por jornadas de quatro horas pela manhã, à tarde ou até mesmo aos finais de semana. A redução da carga horária, porém, também significaria receber um salário menor.
“O meu posicionamento é que eu tenho uma proposta infinitamente melhor, que é a da liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária”, afirmou Flávio. O candidato também declarou: “A nossa proposta é dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade, a sua necessidade. Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais. Quem quer trabalhar menos, que não consegue trabalhar mais, vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida.” A alternativa está prevista na PEC 12/2026, que permite ao empregado escolher entre o modelo tradicional da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime flexível, com pagamento proporcional às horas efetivamente trabalhadas. Nesse formato, direitos como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) também seriam calculados proporcionalmente à jornada.
Pela PEC 12/2026, a carga horária poderia ficar abaixo ou acima do limite geral de 44 horas semanais previsto atualmente, desde que fossem respeitadas as regras estabelecidas no texto. A proposta, portanto, segue um caminho diferente da iniciativa apoiada pelo governo Lula, que prevê a redução gradual da jornada máxima para 40 horas por semana, sem corte salarial, além de dois dias de descanso remunerado. Flávio acusou o presidente de usar o debate eleitoralmente e afirmou: “Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele. Eu tenho certeza que o trabalhador brasileiro quer muito mais do que isso.”
A discussão sobre o fim da escala 6×1 já havia gerado pressão sobre Flávio durante a tramitação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, em setembro. Na ocasião, ele evitou antecipar como votaria caso a alternativa defendida pela oposição fosse derrotada e reiterou o apoio à flexibilização da jornada. A PEC que prevê a redução das horas semanais já passou pela CCJ e, antes da votação em primeiro turno, precisa cumprir cinco sessões de discussão no plenário do Senado.







