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Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelaram detalhes da relação do banqueiro com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles André Mendonça e Alexandre de Moraes, além de pagamentos milionários e benefícios envolvendo pessoas ligadas à família de Moraes. O material foi obtido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero e passou a ser público após o ministro André Mendonça derrubar o sigilo da Petição 16.662. Entre os documentos está um relatório de 218 páginas produzido pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro, com referências a Moraes, à esposa dele, Viviane Barci de Moraes, aos filhos do ministro, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. As mensagens também mostram que Vorcaro tratou diretamente de pagamentos relacionados ao contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane.
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André Mendonça confirmou nesta quarta-feira (02/09) que se reuniu com Daniel Vorcaro em março de 2025, quando ainda não era relator do caso envolvendo o Banco Master no STF. Segundo nota divulgada pelo gabinete, o encontro ocorreu por iniciativa do próprio empresário e teve como assunto a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava em julgamento na Corte e envolvia créditos de precatórios de interesse do banco. Na ocasião, o processo estava sob pedido de vista. “O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”, diz a nota. O gabinete acrescentou: “No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro”. A manifestação ocorreu depois que o site ICL Notícias revelou mensagens do advogado Ciro Rocha Soares, próximo de Vorcaro, sobre o encontro. Em uma conversa, Ciro escreveu: “Opa, Dani!!! Preciso muito falar com você. O A.M. quer recebê-lo. E preciso agendar o quanto antes”, e, em outra mensagem enviada em 7 de fevereiro de 2025, acrescentou: “Muito importante sua ida nele junto comigo”. Vorcaro respondeu: “Marca quarta”. No dia seguinte, o advogado enviou uma foto ao lado de Mendonça e afirmou: “O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo. Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele”, em uma provável referência ao deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). Em outro trecho, Ciro teria contado ao banqueiro que havia levado Mendonça a uma alfaiataria: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”. Segundo Mendonça, Vorcaro também buscou interlocução com outros ministros do STF para tratar do mesmo assunto. O ministro afirmou ainda que sua atuação no processo foi contrária à posição defendida pelo empresário: “Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos”. A reunião ocorreu antes de Mendonça se tornar relator do caso Master, em fevereiro de 2026.
As mensagens também revelaram uma série de interações entre Daniel Vorcaro e um contato salvo no celular do banqueiro como “Alexandre de Moraes Brasília”. A PF identificou, entre outros pontos, que Vorcaro produzia anotações em seu celular, printava a tela e depois enviava a imagem a esse contato. Em uma das anotações, Vorcaro afirmou ter recebido “informações informais e em confidencia de turma do banco central” e escreveu ser “importante reforçar com Andrei e Paulo” para evitar uma medida que pudesse prejudicá-lo. A PF aponta que as referências podem ser ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Outro dos pontos do relatório envolve o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em 8 de fevereiro de 2024, Vorcaro pediu ao cunhado, Fabiano Zettel, uma cópia do contrato e perguntou sobre o pagamento da primeira parcela: “Me manda Barci de Moraes assinado? Quando era o primeiro pgto?” No mesmo dia, Ângelo Silva, tesoureiro do Master e também investigado pela Polícia Federal, encaminhou a Vorcaro o comprovante de uma transferência de R$ 3.422.268,14 do Banco Master para a conta do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, no Banco Itaú. Depois da cobrança, Vorcaro passou a pressionar integrantes do banco para garantir os pagamentos ao escritório. Em mensagem para Ângelo Silva, escreveu: “Angelo. Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas.” Minutos depois, em conversa com a funcionária Romy Goerck Gentina Klenquen, identificada nos registros como “Romy Banco Master”, Vorcaro determinou: “Romy esse Barci de Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu controle. É o pgto mais importante que temos.” Na sequência, reforçou: “Pode pagar sempre, sem nota.” E acrescentou: “Do jeito que for.” Romy então encaminhou o registro de outra transferência do Banco Master para o escritório de Viviane Barci de Moraes no valor de R$ 3.422.268,14. A análise dos metadados do arquivo do contrato também apontou que o documento foi editado por Alexandre de Moraes.
Outro episódio revelado pelo material envolve os filhos de Alexandre de Moraes, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, e a emissão de cartões de crédito do Banco Master com limite de R$ 300 mil para cada um. Em 2 de outubro de 2025, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, procurou Daniel Vorcaro para tratar do assunto. Às 10h03, escreveu: “Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”. Vorcaro respondeu encaminhando o contato de Adriana Solano, superintendente executiva comercial do Banco Master. Mais tarde, Solano consultou o banqueiro sobre a liberação dos cartões e os limites: “O Guilherme que trabalha com a dra Viviane (Moraes) me ligou para emitir cartão para os filhos dela…. limite de 300 pra cada… posso seguir?” Vorcaro respondeu: “Ok”. O relatório da PF também registra mensagens que apontam para uma aproximação entre Vorcaro e Alexandre de Moraes desde o fim de 2023. Em 30 de dezembro daquele ano, o ministro almoçou em uma propriedade de Vorcaro em Campos do Jordão, levando oito pessoas e quatro seguranças. As mensagens indicam que Vorcaro organizou o encontro no Six Sense Botanique, um spa de luxo que também possui residências. Entre 2024 e 2025, o banqueiro ainda trocou mensagens com diferentes pessoas nas quais mencionou encontros com Moraes. Em 5 de novembro de 2024, escreveu para a filha, Stella: “To com Alexandre Moraes”. Em 19 de abril de 2025, enviou à então namorada, Martha Graeff: “To indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”. Dez dias depois, também para Martha, escreveu: “To aqui na correria, amor. Agora to com Alexandre”.
A relação entre Vorcaro e integrantes do STF passou a ser analisada dentro das investigações sobre o Banco Master e sobre uma possível rede de influência e monitoramento atribuída ao ex-banqueiro. O material que estava sob sigilo foi tornado público após decisão de André Mendonça nesta terça-feira (1º), incluindo o relatório completo de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal. Diante dos novos elementos apresentados pela PF, o ministro indicou que levará o caso ao plenário da Corte, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República. “Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu. Mendonça afirmou ainda que a deliberação deverá ocorrer de forma “pública e transparente, em sessão presencial”, em data a ser definida pelo presidente do STF, Edson Fachin. A expectativa é que o plenário analise tanto o pedido de anulação da atuação de Mendonça quanto uma possível investigação envolvendo Alexandre de Moraes. Nesta quarta-feira (02), Fachin afirmou que anunciará “medidas cabíveis e necessárias” após a análise dos fatos. “Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”, disse, em nota oficial.







