Belo Horizonte, 22 de agosto de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Justiça condena mulher de 38 anos que se passou por criança de 12 em Joinville

Amanda Maria Souza de Oliveira viveu como filha de uma família, sustentou uma identidade falsa e chegou a ganhar festa de aniversário e tratamento com Mounjaro
Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução

Ouça este conteúdo

0:00

Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi condenada pela Justiça de Santa Catarina nesta quinta-feira (20/08) por estelionato e falsa identidade, após se passar por uma menina de 12 anos e viver por cerca de 14 meses como filha de uma família de Joinville. A pena foi fixada em um ano, seis meses e dez dias de reclusão e quatro meses e 18 dias de detenção, em regime inicial semiaberto. A prisão preventiva foi mantida, e ela não poderá recorrer em liberdade.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Segundo a sentença, a Justiça considerou comprovados a autoria e os crimes com base em documentos da investigação, no laudo pericial feito no celular apreendido, além dos depoimentos de vítimas e testemunhas. A própria Amanda admitiu que utilizava nome e idade falsos. Para sustentar a identidade criada, ela teria adotado comportamentos associados a uma criança ou adolescente e apresentado explicações para afastar dúvidas sobre sua idade real. Inicialmente, ela teria se apresentado como “Gabriele” e se aproximado da família, moradora do distrito de Pirabeiraba, por intermédio de um pastor de uma igreja local.

Durante o período em que viveu com a família, Amanda alegava ter autismo e outras condições clínicas. Também dizia que sua aparência adulta seria consequência do suposto uso forçado de hormônios durante a infância. Conforme registrado na decisão, ela utilizava chupetas, mamadeiras e objetos lúdicos para sustentar a narrativa. A família chegou a organizar uma festa para comemorar os supostos 12 anos da mulher e bancou despesas como moradia, alimentação, medicamentos, outros cuidados e um tratamento para emagrecimento com Mounjaro.

De acordo com o juízo, a identidade falsa permitiu que Amanda obtivesse vantagem patrimonial ao ter a subsistência custeada pela família durante os cerca de 14 meses de convivência. A sentença também apontou que ela agiu de forma consciente para manter as vítimas em erro e obter benefícios materiais a partir da identidade fictícia. O magistrado considerou ainda os impactos emocionais e familiares provocados pela situação e a repercussão social do caso, especialmente pelo vínculo criado entre Amanda e a família ao longo de mais de um ano.

A defesa pediu a absolvição durante as alegações finais, mas o pedido foi rejeitado. Ao final, a Justiça manteve a condenação por estelionato e falsa identidade, com pena de um ano, seis meses e dez dias de reclusão e quatro meses e 18 dias de detenção, em regime inicial semiaberto. A prisão preventiva também foi mantida, com negativa do direito de recorrer em liberdade. O processo tramita em segredo de Justiça.