Belo Horizonte, 16 de junho de 2026

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EUA e Irã fecham acordo de paz e preveem reabertura do Estreito de Ormuz

Acordo preliminar prevê fim das operações militares, reabertura de rota vital para o petróleo e novas negociações sobre sanções e programa nuclear iraniano
EUA e Irã fecham acordo de paz e preveem reabertura do Estreito de Ormuz
EUA e Irã fecham acordo de paz e preveem reabertura do Estreito de Ormuz - Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo

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Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo preliminar de paz para encerrar o conflito iniciado em fevereiro e abrir caminho para a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo. O anúncio foi feito neste domingo (14/06) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a confirmação do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, país que atuou como mediador das negociações. O memorando de entendimento deverá ser assinado oficialmente na próxima sexta-feira (19), na Suíça. O avanço nas negociações provocou queda nos preços do petróleo e deixou para uma nova etapa as discussões sobre o programa nuclear iraniano.

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Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que “o acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído”. Em seguida, declarou que autorizava a abertura do Estreito de Ormuz sem restrições e a retirada imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!”, escreveu o presidente norte-americano. Em uma segunda postagem, ele informou que a reabertura da passagem marítima ocorrerá após a assinatura formal do acordo prevista para sexta-feira.

Do lado iraniano, a secretaria do Conselho Supremo de Segurança Nacional informou que a guerra e as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, serão encerradas definitivamente a partir da noite desta segunda-feira. Segundo informações divulgadas pela agência estatal Mehr, o Irã apresentou uma lista de exigências para avançar no acordo, entre elas o fim permanente e imediato da guerra em todas as frentes, o compromisso dos Estados Unidos de não interferirem em assuntos internos iranianos, o respeito à soberania do país, a suspensão completa do bloqueio naval em até 30 dias, a retirada das forças norte-americanas dos arredores do território iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz dentro do prazo de 30 dias, conforme os termos estabelecidos por Teerã.

A proposta iraniana também prevê a suspensão das sanções sobre a venda de petróleo, produtos petroquímicos e derivados, além do acesso total do país aos seus recursos financeiros. O documento ainda exige que os Estados Unidos e seus aliados apresentem planos de reconstrução para o Irã no valor de pelo menos US$ 300 bilhões. Outra condição é a realização de 60 dias de negociações para um acordo definitivo envolvendo questões nucleares, a retirada das sanções primárias e secundárias dos EUA e a revogação de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O Irã também reafirma o compromisso, nos termos do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), de não produzir armas nucleares.

Entre os demais pontos apresentados estão o compromisso dos Estados Unidos de não ampliar sua presença militar na região nem impor novas sanções durante as negociações, a liberação de US$ 24 bilhões em recursos iranianos bloqueados, sendo metade antes do início das conversas finais, e a criação de um mecanismo de supervisão para garantir a implementação do acordo. O texto ainda prevê que o entendimento final seja aprovado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU. As negociações definitivas só começarão após a liberação de metade dos recursos bloqueados, a suspensão das sanções ao petróleo iraniano e o fim do bloqueio naval. Segundo o Irã, o acordo final tratará apenas do material enriquecido e do enriquecimento nuclear, da retirada das sanções e do plano de reconstrução econômica do país, deixando de fora as discussões sobre o programa de mísseis iraniano e o apoio a grupos da chamada resistência.