Belo Horizonte, 28 de setembro de 2026

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Diária de superpetroleiros dispara seis vezes com guerra no Irã e tensão no Estreito de Ormuz

Navios chegam a custar mais de US$ 1 milhão por dia, enquanto desvios e transferências de carga reduzem a frota disponível para transportar petróleo mundialmente
Foto: REUTERS/ Stringer

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A diária de superpetroleiros disparou com a guerra entre Estados Unidos e Irã e as restrições de navegação no Estreito de Ormuz. O valor de uma embarcação no mercado à vista chegou a cerca de US$ 650 mil por dia, mais de seis vezes o registrado em janeiro. Em algumas operações na região, a diária já ultrapassa US$ 1 milhão, segundo dados recentes do mercado de transporte marítimo.

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A alta acontece mesmo com a redução do volume de petróleo que deixa o Golfo. O motivo está no tempo maior que os navios precisam permanecer envolvidos em cada operação. Desvios de rota, restrições à navegação e transferências de petróleo entre embarcações diminuem a disponibilidade da frota e pressionam os fretes marítimos de petróleo.

Para reduzir a exposição de diferentes embarcações à travessia de Ormuz, petroleiros que atuam no Golfo passaram a fazer trajetos mais curtos pelo estreito. Depois, parte da carga é transferida para outros navios próximos à costa de Omã. A estratégia mantém parte do fluxo de petróleo, mas exige duas embarcações em etapas que antes poderiam ser feitas por apenas uma. Cada transferência pode levar de dois a três dias. Segundo o The Economist, cerca de 15% da frota mundial de superpetroleiros está concentrada na região de Omã, reduzindo a oferta disponível para outras rotas.

As alternativas também enfrentam dificuldades. O desvio do petróleo pela costa oeste da Arábia Saudita esbarra na ameaça de ataques dos houthis no Mar Vermelho, que pode alongar as viagens. Além disso, um ataque com drone interrompeu recentemente o oleoduto que leva petróleo até o porto saudita de Yanbu. Com menos superpetroleiros disponíveis, rotas que não passam diretamente pelo Oriente Médio também são afetadas. Um carregamento entre Brasil e China, por exemplo, pode precisar de dois navios Suezmax caso não haja um VLCC disponível, aumentando a procura por embarcações menores e pressionando as tarifas.

O impacto também alcança o petróleo brasileiro, principalmente pela importância da China como destino das exportações. No primeiro trimestre de 2026, as vendas brasileiras de petróleo para o mercado chinês chegaram a US$ 7,19 bilhões, recorde para o período, enquanto o volume embarcado cresceu 122%, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). O aumento do frete não significa automaticamente uma queda na receita das produtoras, já que o efeito depende dos contratos, de quem assume o custo do transporte e das condições negociadas. Ao mesmo tempo, a disparada das tarifas tem estimulado investimentos em novas frotas: a Trafigura criou a Volare Shipping, inicialmente com seis superpetroleiros e oito navios encomendados, e pretende levantar cerca de US$ 500 milhões antes de uma possível listagem em Oslo. A operação ainda dependia da conclusão da captação e das aprovações necessárias.