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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro voltou a questionar a integridade das urnas eletrônicas nesta quinta-feira (24/07), durante uma transmissão ao vivo ao lado do consultor político argentino Fernando Cerimedo, que foi indiciado pela Polícia Federal (PF) no inquérito da trama golpista. A live aconteceu em meio a um novo episódio envolvendo o ex-parlamentar, após a PF concluir o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que recomenda sua demissão do cargo de escrivão da corporação por abandono de cargo. As declarações também ocorreram dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgar uma informação falsa sobre as urnas eletrônicas e pedir a representantes diplomáticos estrangeiros que enviem o maior número possível de observadores para acompanhar as eleições de outubro.
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Durante a transmissão, Eduardo afirmou que o objetivo da live era discutir a “integridade eleitoral” e disse que o tema teria sido criminalizado ao longo dos últimos anos. O primeiro slide apresentado trazia o título “o fim da teoria da conspiração” e a frase: “Questionar a integridade de urnas eletrônicas controladas por fornecedores privados deixou de ser negacionismo para se tornar uma grave vulnerabilidade de segurança nacional documentada pela CIA”. Em outro momento, ao exibir um slide com o título “a falácia do ‘acesso interno'”, o ex-deputado afirmou que o relatório produzido pelo Exército sobre as urnas eletrônicas não teria isentado o sistema de vulnerabilidades.
Na sequência, Eduardo declarou: “É impossível auditar as urnas eletrônicas brasileiras. É necessário mais recurso para que possa haver investigação e auditoria propriamente dita. O (ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de) Moraes pegou esse relatório e falou que ‘o Exército não encontrou problema nenhum. Vamos fazer a eleição’. É por isso que gerou revolta e, em última análise, gerou o 8 de janeiro de 2023 no Brasil”. No entanto, essa afirmação não condiz com os fatos. As urnas eletrônicas passam por diferentes etapas de fiscalização e auditoria, acompanhadas por instituições e entidades fiscalizadoras previstas na legislação eleitoral. O relatório elaborado pelos técnicos do Ministério da Defesa em 2022, citado por Eduardo Bolsonaro, não apontou qualquer indício de fraude e concluiu que nenhum dos boletins de urna analisados apresentou inconsistências. Dessa forma, o documento não sustenta a alegação de que as urnas seriam impossíveis de auditar ou que faltariam mecanismos para verificar a integridade das eleições.
Durante a transmissão, Eduardo também classificou as urnas eletrônicas como “máquinas obscuras” e voltou a usar o relatório das Forças Armadas para sustentar críticas ao sistema eleitoral, embora o documento não tenha identificado irregularidades. O ex-deputado ainda atribuiu os atos de 8 de janeiro de 2023 à interpretação dada pelo ministro Alexandre de Moraes sobre esse parecer. A live contou com a participação do consultor argentino Fernando Cerimedo, indiciado pela Polícia Federal em 2024 por suspeita de atuar de forma coordenada com militares para atacar o sistema eleitoral e tentar manter Jair Bolsonaro no poder após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
As novas declarações ocorreram poucos dias depois de outro episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que recomenda sua demissão do cargo de escrivão da corporação por abandono de cargo. Desde que perdeu o mandato de deputado federal, a PF determinou seu retorno à função que exercia antes de ingressar na política, mas ele permanece nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, alegando sofrer perseguição no Brasil. O pedido de demissão ainda será analisado pelo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. O documento também determina que Eduardo entregue a carteira funcional da PF e a arma de fogo vinculada ao cargo. Ele atuou como escrivão da Polícia Federal entre 2010 e 2014, passando por unidades em Guajará-Mirim (RO), Guarulhos (SP), São Paulo e Angra dos Reis (RJ), antes de assumir o mandato na Câmara dos Deputados. Eduardo também teve divulgado por aliados, na última segunda-feira (20), que recebeu um green card do governo dos Estados Unidos, garantindo residência permanente e direitos semelhantes aos de um cidadão norte-americano.







