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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta sexta-feira (30/01) milhões de novos documentos do caso Jeffrey Epstein, em uma das maiores liberações já feitas sobre as investigações contra o financista condenado por crimes sexuais, morto em 2019. O material reúne três milhões de páginas, 180 mil imagens e cerca de 2 mil vídeos e passa a público após o cumprimento tardio de uma lei do Congresso sancionada pelo presidente Donald Trump, que determinava a divulgação integral dos arquivos até dezembro. Logo de início, os documentos revelam ligações diretas de Epstein com figuras influentes, além de detalhes sobre sua prisão, sua morte e as apurações envolvendo Ghislaine Maxwell, condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade.
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Entre os principais pontos, os arquivos revelam e-mails trocados entre Jeffrey Epstein e integrantes da elite política e econômica, incluindo Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe Andrew. No caso da família real britânica, as mensagens mostram contato com alguém identificado como “O Duque”, associado a Andrew Mountbatten-Windsor, com menções a um jantar no Palácio de Buckingham, descrito por Epstein como um ambiente com “muita privacidade”, além de uma oferta para apresentar o duque a uma mulher russa de 26 anos. Os e-mails aparecem assinados com a letra “A” e uma assinatura que se assemelha a “Sua Alteza Real Duque de York KG”. Além disso, os documentos trazem registros financeiros, como a transferência de £10 mil em 2009 para o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, marido do lorde Peter Mandelson, bem como pedidos de hospedagem em propriedades de Epstein feitos pelo político britânico quando o financista já cumpria pena por solicitar prostituição de uma pessoa menor de 18 anos.
Os documentos também citam Elon Musk, que em 2013 enviou um e-mail a Jeffrey Epstein perguntando diretamente “quando podemos ir para a sua ilha?”. Na troca de mensagens, Epstein responde de forma amistosa, afirmando que “sempre há espaço para você”, enquanto os dois conversam sobre possíveis datas, sem que haja confirmação de que a visita tenha ocorrido. Já mensagens atribuídas a Epstein, divulgadas pelo Financial Times, indicam que Bill Gates teria contraído uma infecção sexualmente transmissível após relações com “garotas russas” e, posteriormente, pedido ajuda para esconder o episódio de sua então esposa, Melinda French Gates, incluindo a solicitação para apagar registros e obter antibióticos. Nos e-mails, Epstein afirma ainda ter sido envolvido em tentativas de ocultar encontros extraconjugais, alguns deles com mulheres casadas, descrevendo as situações como indo do “moralmente inapropriado” ao “eticamente questionável”. Jair Bolsonaro também aparece nos arquivos em trocas de mensagens entre Epstein e Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump, nas quais o ex-presidente brasileiro é elogiado. Em uma das mensagens, Bannon escreve: “Diga a ele que o meu candidato vai ganhar no primeiro turno”, em referência à eleição presidencial no Brasil. Epstein responde na sequência afirmando que “Bolsonaro é de verdade” (“the real deal”, no original em inglês).
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O nome de Donald Trump aparece centenas de vezes nos arquivos recém-divulgados. O presidente dos Estados Unidos reconhece que manteve amizade com Jeffrey Epstein, mas afirma que a relação terminou há muitos anos e nega qualquer conhecimento sobre os crimes atribuídos ao financista. Entre os novos documentos está uma lista compilada pelo FBI com denúncias recebidas por uma linha oficial do governo, incluindo alegações de abuso sexual que citam Trump. Uma dessas denúncias, feita de forma anônima, uma mulher relatou que uma amiga “de 13 ou 14 anos” foi forçada a fazer sexo oral em Trump. Segundo a denunciante, sua amiga relatou ter mordido o pênis de Trump, que riu da situação e depois foi agredida pelo então empresário. Segundo o relato, o crime teria ocorrido há cerca de 35 anos, possivelmente em New Jersey. O material não apresenta data exata, provas ou confirmação dos fatos, reunindo apenas o registro formal da acusação encaminhada ao órgão federal.
A divulgação dos arquivos provocou forte repercussão por falhas graves na proteção das vítimas. Reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal apontam que, mesmo após a liberação oficial, nomes completos de ao menos 43 vítimas continuavam visíveis nos documentos, além da presença de imagens explícitas de nudez, algumas sem qualquer tipo de edição. Segundo o NYT, o Departamento de Justiça era legalmente obrigado a ocultar corpos, rostos e dados que permitissem a identificação das vítimas, mas a reportagem encontrou quase 40 imagens não editadas, situação que persistia até o domingo, dia 1º. As autoridades afirmaram que passaram semanas revisando os arquivos com base em listas fornecidas por advogados das vítimas, porém, após alertas da imprensa, o departamento iniciou a retirada e correção de parte do material. O vice-procurador-geral Todd Blanche, responsável pela divulgação durante o governo Trump, declarou que a revisão do caso Epstein-Maxwell “está encerrada” e que o processo buscou garantir transparência, embora tenha reconhecido a existência de “fotografias horríveis”, ressaltando que esse material, por si só, não autoriza novas acusações sem provas concretas.







