Belo Horizonte, 12 de julho de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Mineração ilegal na Serra do Curral leva 11 pessoas à prisão durante operação em BH

Suspeitos foram flagrados extraindo minério em área interditada da Mina Granja Corumi; ação apreendeu máquinas pesadas e ocorre após investigação da Polícia Federal sobre esquema bilionário
Foto: Reprodução CBH Rio das Velhas

Ouça este conteúdo

0:00

A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) prendeu 11 pessoas suspeitas de participar de um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (10/07). A prisão ocorreu na Mina Granja Corumi, no bairro Taquaril, onde os policiais encontraram o grupo realizando extração irregular de minério em uma área interditada desde 2024 e pertencente à Empresa de Mineração Pau Branco (Empabra).

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Segundo a PMMG, a ação foi iniciada após uma denúncia feita pelo telefone 190 sobre movimentações suspeitas na região. No local, os militares encontraram os suspeitos retirando minério ilegalmente. Ao perceberem a chegada das viaturas, os envolvidos tentaram fugir, buscando abrigo em uma área de mata e tentando escapar com os caminhões que estavam sendo utilizados na atividade.

Para impedir a fuga, a Polícia Militar montou uma operação de cerco com apoio de outras equipes, incluindo o helicóptero Pegasus. Durante a ocorrência, foram apreendidos oito veículos pesados e dois veículos particulares. Entre os equipamentos estavam sete carretas e uma retroescavadeira, que, junto com os suspeitos, foram encaminhados para a Polícia Federal (PF), já que a investigação envolve crime contra bens da União.

A prisão acontece poucos dias após a Polícia Federal indiciar 17 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral. Entre os investigados está o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa. O grupo é suspeito de crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência para favorecer interesses ligados à exploração mineral irregular na região.

A investigação da PF, realizada a partir da Operação Parcours, aponta que empresários, servidores públicos, consultores e geólogos teriam participado de um esquema envolvendo a fraude de documentos ambientais para manter a extração de minério de ferro na Mina Granja Corumi. Segundo a apuração, documentos como o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM) teriam sido usados pela Empabra para simular a recuperação ambiental enquanto a atividade mineral continuava. O faturamento do grupo poderia chegar a R$ 2,3 bilhões. O relatório da PF também aponta impactos na Serra do Curral, como a destruição da nascente do Córrego Taquaril, abertura de cavas além dos limites autorizados, retirada de vegetação e possíveis danos ao lençol freático.