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Três homens foram presos em flagrante por necrofilia e vilipêndio de cadáver em Eldorado (MS), a 442 quilômetros de Campo Grande, após a violação do túmulo de Vera Lúcia da Silva, de 41 anos, vítima de feminicídio. A violação ocorreu no cemitério municipal da cidade poucos dias após o sepultamento, em um episódio que chamou atenção pela sequência de violência vivida pela vítima.
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Segundo a Polícia Civil, a investigação começou assim que funcionários do cemitério perceberam o túmulo violado no amanhecer da quarta-feira (15/04). O delegado Robilson Júnior Albertoni classificou o crime como “trágico, cruel, maldoso e doentil”. Os três foram presos na quinta-feira (16).
Em depoimento, um dos suspeitos afirmou que estava no cemitério acompanhando um adolescente de 16 anos, que queria visitar o túmulo da mãe. No local, eles teriam encontrado um terceiro homem próximo à sepultura. De acordo com o relato, após um chute que abriu o túmulo, os três retiraram o corpo. O investigado ainda declarou ter sido o primeiro a praticar o ato e disse: “Foi por pouco tempo porque cheirava mal”, informou o delegado. Em seguida, ele relatou que deixou o local antes dos demais envolvidos.
Ainda conforme a investigação, o homem que confessou o primeiro ato trabalhava em um mercado da cidade e usava tornozeleira eletrônica por envolvimento anterior com tráfico de drogas. Enquanto isso, os outros dois suspeitos não possuíam ocupação profissional. Vera havia sido assassinada a tiros dentro de casa no último domingo. O autor do feminicídio, ex-companheiro da vítima, tirou a própria vida logo depois, no quintal da residência.
A filha da vítima, Letícia Gabrielly, relatou o impacto emocional da nova violência. “Foi como enterrar minha mãe pela segunda vez. É um desrespeito, uma falta de empatia, uma falta de humanidade. Eu só quero respeito pela minha família e pela trajetória dela”. Vera Lúcia trabalhava na Secretaria Municipal de Educação e já havia solicitado medida protetiva contra o autor devido a histórico de violência doméstica no relacionamento de 13 anos. A filha do casal, de 9 anos, presenciou o feminicídio dentro da própria casa.
O caso é tratado como vilipêndio de cadáver e reforça a brutalidade enfrentada pela vítima. A sequência de crimes escancara que mulheres seguem expostas à violência em diferentes etapas, inclusive depois da morte, e infelizmente Vera Lúcia foi vítima de dois crimes extremos, sem sequer conseguir descansar em paz.







