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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (05/11), em meio à crise provocada pelo escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. O colapso da instituição deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas e atingiu recursos públicos. A saída do chefe de Estado ocorreu enquanto o Congresso discutia um processo de impeachment contra ele.
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A crise ganhou força após denúncias de irregularidades envolvendo o banco, que resultaram na prisão de oito pessoas ligadas à instituição, em protestos de clientes e no fechamento das agências. Na quarta-feira (04), deputados da oposição apresentaram um pedido de impeachment contra Peña, com 35 assinaturas, apontando suspeitas de conflito de interesses, mau desempenho das funções e questionamentos sobre a evolução de seu patrimônio. Nesta quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o processo por unanimidade, com 78 votos favoráveis.
A renúncia também ocorre após a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central do Paraguai. Ele havia sido nomeado por Peña e anteriormente comandou a instituição financeira que deu origem ao Ueno Bank. O presidente paraguaio, por sua vez, manteve investimentos na holding responsável pelo banco até março de 2025. A oposição acusa Peña de possível envolvimento no desvio de recursos públicos para a instituição, alegações que estão no centro da crise política.
Peña assumiu a Presidência em março de 2023, garantindo a continuidade do Partido Colorado no poder. A legenda governa o Paraguai há quase sete décadas, com exceção do período entre 2008 e 2012, quando o país foi comandado pelo ex-bispo Fernando Lugo, que também deixou o cargo após um processo de impeachment. Agora, a saída de Peña ainda depende da aprovação formal do Congresso, enquanto o Senado precisa analisar as acusações aprovadas pela Câmara.
O escândalo também coloca em questão a imagem do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros na América do Sul, especialmente de capital brasileiro. Nos últimos anos, o país registrou crescimento econômico e conquistou o grau de investimento. No entanto, como apontou o Financial Times, críticas sobre corrupção e influência política no Judiciário e no setor empresarial continuam entre os desafios para a segurança dos negócios no país.







