Belo Horizonte, 20 de outubro de 2026

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Fred Bruno é atingido por estilhaço de bala após disparo de deputado do PL em festa em SP

Apresentador do Globo Esporte afirma que não participava da confusão, critica o despreparo do parlamentar e promete levar provas à delegacia
Foto: Reprodução/ Redes sociais

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O jornalista Fred Bruno, apresentador do Globo Esporte SP, foi atingido por um estilhaço de bala durante uma confusão em uma casa noturna no Itaim Bibi, na capital paulista, na segunda-feira (19/10). O disparo foi feito pelo deputado estadual Marcelo Aguiar (PL), que estava armado no local. As circunstâncias do disparo ainda são investigadas. Uma das versões relatadas por testemunhas aponta que Aguiar sacou a arma durante o desentendimento e atirou contra o chão. Outra versão, registrada inicialmente na ocorrência policial, afirma que o parlamentar caiu e que a arma disparou acidentalmente. Fred afirmou que não participava da confusão, tranquilizou os fãs e informou que vai apresentar documentos às autoridades para esclarecer o caso.

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Em entrevista ao SPTV, da TV Globo, o jornalista contou que ouviu o disparo e sentiu um forte impacto no pé, seguido de dor e queimação. “Estou aqui para dizer que está tudo bem. Sim, eu estava presente embora não tivesse nada a ver com ocorrido, ouvi o disparo e senti um impacto muito grande no meu pé, começou a latejar, queimar, não entendi muito bem o que tinha acontecido, mas estou bem. É algo muito sério, poderia ter acontecido algo muito pior. Não apresento o programa hoje porque estou tomando todas as medidas necessárias e amanhã estou de volta.” Fred também publicou um vídeo nas redes sociais em que classificou Marcelo Aguiar como uma pessoa “despreparada” para portar uma arma. O apresentador informou que procurou assessoria jurídica e atendimento médico para obter um laudo e apresentar os documentos na delegacia. “Vou pegar tudo isso e vou apresentar na delegacia para que todo esse caso seja esclarecido. Um fato como esse não pode passar impune”, declarou. Ele ainda afirmou que sua defesa da não violência no esporte se estende a outras áreas da vida e questionou a sensação de segurança proporcionada pelo porte de armas: “A gente quer se sentir mais seguro ou a gente quer se sentir mais ameaçado? Sabendo que eu tinha sido vítima de uma bala que ricocheteou, eu me senti muito mais ameaçado do que seguro. O que a gente quer para o nosso futuro, o que a gente quer para os nossos próximos dias?”

De acordo com o boletim de ocorrência, o episódio aconteceu no bar Santo Cupido, onde Marcelo Aguiar teria incomodado pessoas presentes na festa. Uma testemunha ouvida pela polícia afirmou que o deputado teria importunado mulheres e que um homem se aproximou para pedir que ele parasse. O parlamentar teria atendido à solicitação, mas permaneceu no local. Em seguida, outros dois homens pediram que ele se afastasse. Foi nesse momento que um único disparo foi ouvido, provocando a dispersão das pessoas. Seguranças relataram que o tiro foi efetuado com uma pistola Glock G42, calibre .380, e que Marcelo foi conduzido à área externa e desarmado. O gerente do estabelecimento acionou a Polícia Militar.

O deputado foi levado ao 14º Distrito Policial, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo os registros, ele optou por não prestar esclarecimentos naquele momento e precisou ser algemado durante a abordagem, diante do estado de exaltação e do receio de risco à integridade física dele ou de outras pessoas. Marcelo alegou fazer uso de medicamentos, mas não foi submetido a exame para verificar eventual embriaguez na delegacia. O parlamentar e uma testemunha foram ouvidos. A Polícia Militar informou que não houve feridos, e o boletim de ocorrência também não registra vítimas. Apesar da abordagem, a autoridade policial decidiu não formalizar a prisão em flagrante, considerando a imunidade formal dos parlamentares. O despacho apontou, em análise inicial, a possível prática do crime previsto no artigo 15 do Estatuto do Desarmamento, que trata de disparo de arma de fogo em determinadas circunstâncias, mas avaliou que não havia elementos que indicassem crime inafiançável naquele momento.

Marcelo Aguiar possui porte federal de arma. A pistola calibre .380 foi apreendida e deverá passar por perícia, assim como o local do disparo. O caso será apurado pelas autoridades para esclarecer as circunstâncias do tiro e a responsabilidade do parlamentar pelo ocorrido.