Belo Horizonte, 12 de agosto de 2026

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Inflação desacelera em julho e IPCA fica em 0,07%, menor taxa para o mês desde 2022

Queda de alimentos e combustíveis ajudou a segurar os preços, mas energia elétrica pressionou o índice e ficou entre os principais impactos do mês
Inflação desacelera em julho
Inflação desacelera em julho - Foto: Magnific

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A inflação oficial do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou em julho e ficou em 0,07%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma queda de 0,09 ponto percentual em relação aos 0,16% registrados em junho e é a menor taxa para o mês desde 2022, quando houve deflação de 0,68%. No acumulado de 2026, o IPCA está em 3,44%, enquanto a alta em 12 meses ficou em 4,44%, abaixo dos 4,64% registrados no período anterior e também abaixo do teto da meta de inflação do Banco Central, de 4,5%.

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Apesar da desaceleração, o IPCA de julho ficou acima da expectativa do mercado. A pesquisa Projeções Broadcast estimava alta de 0,03% no mês e inflação acumulada de 4,4% em 12 meses. Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA, o resultado foi influenciado pela combinação de quedas em alimentos e combustíveis com a pressão da energia elétrica. “A composição desse 0,07% teve redução de alimentos, combustíveis e alta da energia elétrica por conta de reajustes que puxaram o indicador”, disse.

O grupo Habitação foi um dos principais responsáveis pela alta de julho, passando de 0,63% em junho para 0,99%. A energia elétrica residencial subiu de 1,53% para 3,09% e teve o maior impacto individual sobre a inflação do mês, de 0,13 ponto percentual. O IBGE informou que o resultado inclui reajustes de 8,85% em uma concessionária de São Paulo, com impacto de 7,55%, a partir de 4 de julho; de 14,89% em uma concessionária de Porto Alegre, com impacto de 0,32%, a partir de 19 de junho; e de 19,55% em Curitiba, com impacto de 12,15%, em vigor desde 24 de junho.

Na direção contrária, o grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,67%, puxado principalmente pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14%. O tomate teve a maior queda, de 29,09%, e foi o principal impacto negativo do mês, com -0,10 ponto percentual. Também caíram a batata-inglesa (-19,59%), a cenoura (-14,41%) e o café moído (-2,45%). Entre as altas, ficaram o leite longa vida (2,47%) e as frutas (1,20%). Já a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho, com o lanche passando de 0,13% para 0,76% e a refeição de 0,15% para 0,42%.

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais teve alta de 0,4%, com destaque para artigos de higiene pessoal (0,64%), especialmente perfumes (1,04%), e planos de saúde (0,42%). Segundo o IBGE, a variação dos planos reflete reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para contratos firmados após a Lei nº 9.656/98, o reajuste pode chegar a 5,11%, válido de maio de 2026 a abril de 2027. Nos planos contratados antes da lei, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, dependendo do contrato. Em Transportes, a alta foi de 0,05%, influenciada pelo aumento de 11,67% nas passagens aéreas, enquanto os combustíveis recuaram 1,44%. Houve queda no etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).