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Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que adie a aplicação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros para depois das eleições de outubro. O pedido foi encaminhado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) na quarta-feira (1º/07), por meio de um documento de 19 páginas. No texto, o senador afirma que um tarifaço neste momento fortaleceria politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao permitir que o governo utilizasse a medida para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. Segundo Flávio, a taxação deveria ser suspensa agora e entrar em vigor automaticamente após 180 dias.
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Na argumentação enviada ao governo americano, Flávio acusa o governo Lula de provocar, de forma intencional, atritos diplomáticos com os Estados Unidos para estimular uma reação de Washington e transformar o episódio em vantagem política. Para o senador, aplicar a tarifa imediatamente seria “entregar ao atual governo a vitória política que vem arquitetando”. Ele resume que “as tarifas propostas recompensariam os próprios infratores que pretendiam punir” e afirma que o adiamento abriria um prazo para que governo e oposição pudessem negociar “em boa-fé” com a Casa Branca. O documento conclui que o pedido representa uma tentativa de restaurar as relações entre os dois países, e não um pedido de alívio.
Na carta enviada ao USTR, Flávio também cita o Banco Master ao comentar um dos argumentos usados pelo órgão americano para justificar a proposta de sobretaxa: a suposta insuficiência dos mecanismos de combate à corrupção no Brasil. O senador afirma que investigações apontariam uma “rede de proximidade” entre o controlador da instituição financeira e integrantes do governo, mas não menciona o nome de Daniel Vorcaro. No documento, ele cita a contratação dos ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski como consultores do banco, a investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e um encontro entre Vorcaro e Lula, em dezembro de 2024. Flávio ainda afirma que o caso teria afetado o sistema financeiro americano, prejudicado cidadãos dos Estados Unidos e que poderia ter conexões com o crime organizado, envolvendo ao menos uma organização posteriormente classificada como terrorista estrangeira. O senador, porém, não menciona sua relação com Vorcaro. Em maio, o site Intercept Brasil revelou que Flávio negociou diretamente com o empresário um financiamento de cerca de R$ 134 milhões para a produção do filme Dark Horse, de propaganda pró-Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, R$ 61 milhões teriam sido transferidos para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Nas mensagens divulgadas, Flávio chamava Vorcaro de “mermão” e “irmão”.
Nesta quinta-feira (2), Flávio voltou ao tema em uma publicação nas redes sociais. O senador afirmou que Lula é “o único que quer o tarifaço” contra produtos brasileiros e acusou o presidente de provocar os Estados Unidos, não negociar e fazer lobby para que o PCC e o Comando Vermelho não fossem classificados como organizações terroristas. Segundo ele, Lula tenta transformar uma eventual taxação em uma narrativa favorável ao governo para explorar o discurso de defesa da soberania nacional. Flávio também declarou que já tratou do assunto diretamente com Donald Trump e com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. Na mesma publicação, afirmou que continuará defendendo o Pix, criado durante o governo Bolsonaro, dizendo que o sistema é brasileiro, não cobra taxas e que “ninguém mexe”.







