Belo Horizonte, 26 de outubro de 2026

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Falta de ônibus nas eleições provoca investigação e acusações de crime eleitoral

Denúncias de redução da frota em diferentes cidades levam a pedidos de prisão, mobilizam a Justiça Eleitoral e geram acusações de tentativa de impedir eleitores de votar.
Foto: Reprodução SEMOB Salvador

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O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi marcado por denúncias de falta de ônibus e dificuldades no transporte de eleitores em diferentes regiões do país. Após uma ação apresentada pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação do horário de votação em todo o Brasil até as 19h, pelo horário de Brasília. As reclamações se concentraram principalmente na Bahia e em São Paulo, mas também houve relatos em Alagoas, Sergipe, Petrópolis, no Rio de Janeiro, e Belém.

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A campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por volta das 13h, pedindo a ampliação do horário de votação nos municípios onde foram apontadas irregularidades no transporte público. A solicitação mencionou Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia. Segundo a decisão de Zanin, os fatos chegaram ao conhecimento do STF às 16h32, e a gravidade das alegações motivou a extensão do horário em todas as seções eleitorais do país. O ministro também determinou que o TSE adotasse as medidas necessárias para cumprir a ordem.

Em São Paulo, Lula afirmou que sua campanha pediria a prisão de prefeitos e empresários que, segundo ele, teriam dificultado o deslocamento de eleitores até os locais de votação. O presidente comparou os episódios às operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno de 2022, quando ônibus foram parados no Nordeste. “Agora, qual é a surpresa? Aqui em São Paulo, quase 40% dos ônibus foram retirados de circulação. Na Bahia foram tirados ônibus de circulação”, disse. Em seguida, defendeu a prorrogação do horário eleitoral e declarou: “Que o povo não desista de votar, estamos entrando com um pedido para que a Suprema Corte Eleitoral possa prorrogar o processo eleitoral para que as pessoas que foram impedidas de votar por sacanagem de prefeito, compareçam para votar. Depois das eleições, o próximo passo é pedir prisão desses prefeitos por crime eleitoral. Não é possível em pleno século 21, ter prefeitos tentando coibir o povo de exercer o seu livre direito de votar”. Em outra declaração, Lula afirmou: “Isso é um pedido ao ministro Kassio e o André Mendonça [presidente e vice-presidente do TSE]: eles têm, se for verdade, que prorrogar esse horário eleitoral para não permitir que as pessoas que foram prejudicadas de manhã pelo banditismo de alguns empresários ou de alguns prefeitos sejam prejudicados”. O presidente acrescentou: “Nós não vamos aceitar banditismo, mau-caratismo nem de prefeito, nem de governador e nem de empresário. Essas pessoas precisam aprender a respeitar a democracia neste país”.

Em Salvador, a Justiça Eleitoral determinou o restabelecimento imediato da frota integral de ônibus, com frequência equivalente à dos dias úteis e gratuidade para os passageiros. O descumprimento da ordem poderia resultar em multa de R$ 1 milhão por hora. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) também determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, após ser acionado pelo PT, que pediu ainda a prisão do prefeito Bruno Reis (União Brasil). A prefeitura informou que a circulação foi interrompida temporariamente em algumas garagens porque ônibus estavam com adesivos de candidatos, o que, segundo a gestão municipal, configuraria propaganda eleitoral irregular. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), 75 coletivos foram retidos nas garagens durante a manhã. A situação provocou questionamentos sobre o impacto da redução da frota no deslocamento dos eleitores.

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou, em entrevista coletiva em Brasília, que os problemas no transporte de eleitores em alguns pontos do país já estavam sendo corrigidos. “De notícia que nós temos, de fato, em alguns locais há uma dificuldade no transporte, que já está sendo corrigida”, disse. Segundo o ministro, as ações para garantir o transporte de eleitores nos estados são coordenadas pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), com apoio do TSE, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), das Forças Armadas e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).