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A Cemig demitiu Rubens Soalheiro de Oliveira Matos, diretor comercial da Cemig SIM, após o nome dele aparecer em investigações que apuram possíveis relações entre a subsidiária, empresas de energia solar e negócios ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A suspeita é de que Soalheiro tenha participado da aproximação e das negociações entre a Cemig SIM e a Green Investimentos, empresa do setor de energia renovável que tinha Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, como presidente. A Cemig confirmou a demissão nesta sexta-feira (14/08) e afirmou: “A Cemig informa que o diretor citado foi demitido e portanto não integra mais os quadros da Cemig SIM”.
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Além da saída do diretor, a Cemig informou que encerrou os contratos mantidos com as empresas citadas nas investigações da Polícia Federal (PF) e determinou a realização de uma auditoria externa independente para analisar os contratos da área investigada. Segundo as informações levantadas no caso, Soalheiro é apontado como responsável por facilitar a relação comercial da Cemig SIM com empresas ligadas ao grupo de Vorcaro. Entre elas está a Green Investimentos, que teria ampliado sua presença nos negócios de geração distribuída de energia solar relacionados à estatal mineira. A Cemig também declarou que não mantém mais negócios com a empresa. “Todos os contratos existentes com a empresa foram encerrados em maio. Assim, a Cemig SIM não mantém nenhum contrato vigente com o grupo citado”, disse a estatal.
As suspeitas também envolvem uma possível utilização de negócios com a Green Investimentos em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a integrantes da cúpula do Banco Master. De acordo com a investigação da Polícia Federal, ações da empresa de energia teriam sido usadas como forma de pagamento por supostos favores prestados ao grupo de Daniel Vorcaro pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os investigadores apontam que as ações negociadas entre Felipe Vorcaro e o grupo ligado ao senador tinham valor de mercado estimado em R$ 13 milhões, mas o irmão de Ciro Nogueira teria adquirido uma participação na Green Investimentos por R$ 1 milhão, valor inferior a 10% da estimativa de mercado. A diferença de aproximadamente R$ 12 milhões foi apontada pela PF como possível forma de “retribuição” a Ciro Nogueira por sua atuação em favor dos interesses do grupo ligado ao Banco Master. O senador foi investigado pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira.
- Entenda o caso: Diretor da Cemig SIM administra rede de empresas ligada a Daniel Vorcaro e sob suspeita de lavagem de dinheiro
A atuação da diretoria comercial da Cemig SIM nos últimos anos também entrou no radar das suspeitas. A área foi comandada por Iran Barbosa em 2024, antes de Rubens Soalheiro assumir o cargo. Os dois teriam sido indicados pelo grupo político de Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), em um acordo político que reservava ao partido espaço nas indicações da empresa. Soalheiro chegou a ocupar um cargo na direção nacional do PP antes de assumir a função na Cemig SIM. Foi durante esse período que empresas ligadas ao grupo de Vorcaro teriam ampliado sua presença nos negócios de geração distribuída de energia solar vinculados à subsidiária da Cemig.
Segundo informações apresentadas na investigação da Polícia Federal, cerca de 60 sociedades relacionadas a usinas fotovoltaicas de geração distribuída teriam ligação com empresas administradas por Daiane Aline de Andrade Silveira e Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. Estimativas citadas no caso indicam que Daniel Vorcaro e familiares deteriam cerca de 160 MWp em ativos de geração solar, avaliados em aproximadamente R$ 1,2 bilhão. A Green Investimentos, com cerca de 70 MWp, representaria uma parcela relevante desse conjunto. Diante das relações empresariais citadas nas investigações, o deputado federal Rogério Correia (PT) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu a abertura de uma investigação sobre possíveis relações envolvendo Daniel Vorcaro, Ciro Nogueira, Marcelo Aro e Rubens Soalheiro, ex-diretor comercial da Cemig SIM.







