Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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ONU vota uso da força no Estreito de Ormuz em meio a ameaças do Irã e risco de veto

Proposta liderada pelo Bahrein para liberar medidas defensivas divide Conselho de Segurança e eleva risco de escalada na região estratégica
Conselho de Segurança da ONU adia votação sobre uso da força no Estreito de Ormuz
Conselho de Segurança da ONU adia votação sobre uso da força no Estreito de Ormuz - Foto: Gallo Images/ Orbital Horizon/ Getty Images

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O Conselho de Segurança da ONU deve votar neste sábado (04/04) uma resolução sobre o uso da força no Estreito de Ormuz, em meio a ameaças do Irã e à preocupação com a segurança da navegação comercial na região. A proposta, apresentada pelo Bahrein, prevê autorizar “todos os meios defensivos necessários” para garantir a passagem de navios. No entanto, a votação enfrenta resistência de países com poder de veto, o que coloca em dúvida a aprovação do texto.

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Inicialmente prevista para esta sexta-feira (03), a reunião com os 15 membros do Conselho foi adiada devido ao feriado da Semana Santa. Ainda assim, o tema segue em pauta, enquanto diplomatas tentam superar divergências. Isso porque China, Rússia e França já sinalizaram oposição à autorização do uso da força, o que pode impedir o avanço da proposta.

Segundo fontes diplomáticas, o projeto elaborado pelo Bahrein permitiria a adoção de medidas por pelo menos seis meses. Apesar disso, a proposta enfrenta críticas diretas. O representante da China na ONU, Fu Cong, afirmou que liberar esse tipo de ação poderia “legitimar o uso ilegal e indiscriminado da força” e provocar uma escalada com consequências graves. Além disso, versões anteriores do texto já tiveram trechos contestados por China, França e Rússia, que chegaram a interromper o chamado “procedimento de silêncio”, mecanismo usado para aprovar medidas sem votação formal.

O impasse ocorre após semanas de negociações reservadas. De acordo com o jornal The New York Times, o principal ponto de discordância é justamente o trecho que autoriza países a usar “todos os meios necessários” para evitar bloqueios e garantir a passagem no estreito. Para que uma resolução seja aprovada, são necessários ao menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.

Enquanto isso, o governo iraniano também se manifestou. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, alertou nesta quinta-feira (02) contra qualquer ação considerada provocadora, inclusive dentro do próprio Conselho de Segurança. Segundo comunicado oficial, o uso da força para liberar a passagem marítima “só tornará a situação ainda mais complicada”. O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o comércio global de energia, já que cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo passam pela região, que conecta grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar.