Belo Horizonte, 5 de junho de 2026

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Escritora Cristiana Guerra e a sua trajetória de sobrevivente que transforma dor em conscientização

Após ser vítima de abuso dentro de sua própria casa, ela decide dar voz a outras vítimas, fala sobre reconstrução e leva sua história ao público no livro "O Peso da Armadura"
Trajetória de sobrevivente de violência doméstica
Trajetória de sobrevivente de violência doméstica

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O portal G5 Minas conversou com a escritora e palestrante Cristiana Guerra, que compartilhou conosco sua história como sobrevivente de violência doméstica e abuso familiar. Hoje, ela usa a própria trajetória para alertar outras pessoas e mostrar que existe vida após a violência. Ao relembrar como foi viver uma violência dentro da própria família, Cristiana conta que esse tipo de situação vem acompanhado de sentimentos pesados. Medo, culpa e insegurança aparecem de forma constante. Além disso, a vergonha e o receio do julgamento fazem com que muitas vítimas se calem, principalmente pelo medo do que as pessoas vão pensar ou se vão acreditar na história.

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Ao relembrar o que mais marcou sua infância, Cristiana Guerra contou que cresceu em meio a diferentes formas de violência dentro de casa, incluindo agressões físicas, psicológicas e tentativas de abuso sexual. No entanto, o episódio que mais a impactou aconteceu quando tinha apenas seis anos, ao presenciar o próprio pai sendo colocado para fora de casa de forma bruta, empurrado escada abaixo e espancado. De acordo com a escritora, essa cena trouxe consequências profundas ao longo da vida, gerando insegurança, falta de identidade, medo de confiar nas pessoas e uma distorção sobre quem ela era. Além disso, ela afirma que crescer nesse ambiente contribuiu para o desenvolvimento de crenças limitantes e baixa autoestima, já que, como destaca, não acreditava que seria capaz de se tornar quem é hoje.

Quando fala sobre os primeiros passos para sair dessa realidade, a escritora aponta que o início é desafiador, mas também libertador. “Reconhecer a dor, buscar ajuda e ter o entendimento que você é a vítima e não a culpada pela situação.” Esse processo exige coragem para romper ciclos e começar a reconstruir a própria identidade, passo a passo, mesmo diante das dificuldades.

A decisão de compartilhar sua história veio em 2023, quando Cristiana escolheu dar voz a outras vítimas por meio da conscientização e da empatia. Esse movimento resultou no livro “O Peso da Armadura”. Segundo Cristiana, a violência e o abuso deixam marcas profundas, um peso que fica na alma e nas emoções. Ao compartilhar sua trajetória, ela também entendeu que não era a única pessoa a passar por isso, e que outras ainda irão enfrentar situações semelhantes. Por isso, ela reforça que sua missão é mostrar que existe vida e propósito, já que muitas vezes as vítimas deixam de lutar, deixam de acreditar que são merecedoras de amor e passam a viver com medo de como serão vistas pela sociedade.

Cristiana admite que escrever “O Peso da Armadura” foi um dos maiores desafios da sua vida. Isso porque não se tratava apenas de colocar uma história no papel, mas de reviver uma experiência real, marcada por dor e superação. “Não estava ligado somente a uma história indo para o papel, mas uma vida real. Uma vida de alguém que passou, que viveu, presenciou na pele, mas que estava se levantando também como voz para dizer a outras milhares de pessoas ‘você não é a violência’, ‘você não é o abuso’, ‘isso nunca vai te definir’”. A palestrante enfatiza que o que foi vivido é apenas uma parte da história, que pode até ser triste, mas não impede a construção de um final diferente. Além disso, Cristiana conta que não imaginava a repercussão que o livro teria, com pessoas se aproximando, se identificando com sua história e entendendo que também são sobreviventes, em um processo profundo de dor emocional, mas também de reconstrução da própria identidade.

 

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