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O Ministério Público Federal (MPF) notificou a TV Globo e recomendou mudanças imediatas no BBB 26, com foco no fim de provas de resistência consideradas extremas. A medida envolve dinâmicas como o “Castigo do Monstro” e outras atividades que, segundo o órgão, expõem os participantes à privação de necessidades básicas. Entre as principais exigências, o MPF destaca que os confinados não devem ficar sem acesso a banheiro, água ou comida durante as provas, além de limitar atividades prolongadas que possam comprometer a saúde física e mental.
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De acordo com o documento, a emissora deve vetar provas que exijam mais de três horas ininterruptas em pé ou que imponham isolamento com luzes intensas. Além disso, o MPF recomenda que sejam garantidos intervalos regulares para descanso, alimentação e hidratação em disputas mais longas. Outro ponto importante é que participantes com problemas de saúde prévios não sejam submetidos a dinâmicas de risco, evitando punições nesses casos.
Ainda conforme o órgão, os participantes não devem ser penalizados ao apresentarem mal-estar físico ou psicológico durante as atividades. O texto também solicita que a produção ofereça acompanhamento psicológico por tempo indeterminado, inclusive para aqueles que desistirem ou forem eliminados do programa. A TV Globo tem um prazo de 48 horas para informar se vai acatar as recomendações, que foram enviadas diretamente à direção da emissora.
A notificação ocorre após episódios recentes envolvendo problemas de saúde no reality. O MPF cita casos como as convulsões de Henri Castelli em janeiro e o desmaio de Rafaella no Quarto Branco. Além disso, na última semana, as participantes Ana Paula Renault e Milena precisaram de atendimento médico após uma dinâmica que exigia que permanecessem em pé para controlar refletores, o que levantou novos questionamentos sobre os limites das provas.
Em março, o MPF abriu um inquérito civil para apurar possíveis violações envolvendo dinâmicas do BBB 26, como o Exilado, as provas de resistência e o Quarto Branco. Segundo o órgão, participantes teriam sido submetidos a condições adversas, incluindo ruídos constantes, baixas temperaturas e restrição alimentar. A investigação foi reforçada após o envio de uma carta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que apontou semelhanças entre essas dinâmicas e práticas de tortura do período da ditadura militar. O procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, destacou que a liberdade artística não pode se sobrepor aos direitos fundamentais. Em resposta, a TV Globo afirmou que mantém estrutura médica contínua, com suporte de UTI móvel e protocolos de atendimento. O MPF aguarda que a emissora preste informações detalhadas sobre os novos questionamentos levantados.







