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Diálogos encontrados pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, indicam que ele autorizou R$ 51,9 milhões em pagamentos ao portal Metrópoles em 2024 e 2025, além de interferir diretamente na produção de reportagens. As conversas mostram que o banqueiro sugeria pautas, pedia alterações em textos, influenciava manchetes e chegou a impedir a publicação de uma matéria. Em uma das mensagens, ele classificou a relação comercial com o site como a “coisa mais importante” da vida deles.
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O Metrópoles pertence ao empresário e ex-senador Luiz Estevão. Segundo as mensagens, a CEO do portal, Lilian Tahan, mantinha contato direto com Vorcaro, submetia textos à avaliação dele e organizava reuniões com o banqueiro e o proprietário do veículo. Os pagamentos aparecem em conversas com Ana Lúcia Matos, então superintendente de Comunicação e Marketing do Banco Master. Em julho de 2024, foram acertados dois projetos de educação financeira, por meio das empresas Kovr e Will Bank, integrantes do grupo, por cerca de R$ 900 mil. No dia 3 daquele mês, Vorcaro cobrou rapidez na conclusão dos negócios: “Como esta metropoles ana. Temos que acelerar isso. Me da noticia rapido”.
Em dezembro de 2024, o banqueiro enviou a Ana Matos uma minuta de contrato de R$ 20 milhões, cujo objeto não é esclarecido nas conversas. Surpresa com o valor, a funcionária sugeriu negociar uma redução para R$ 12 milhões a R$ 15 milhões, argumentando que o portal já havia recebido cerca de R$ 1 milhão em junho. “Daniel. Tá caro esse metrópoles. Fazendo conta aqui. Posso falar com eles? Fecho 12-15 milhões que eh bastante! Em junho ja pagamos 1 milhão”, escreveu. Vorcaro rejeitou a proposta de redução e respondeu: “Nao! Coisa mais importante nossa vida é esse metropoles”.
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As conversas também revelam a participação do banqueiro no conteúdo publicado pelo site. Em 2 de abril de 2025, ao discutir rumores de que o BTG Pactual teria oferecido R$ 1 pela compra de ativos do Master, Vorcaro enviou um desmentido e afirmou: “Proposta de 1 real nunca existiu!”. Tahan respondeu: “Tiramos”. Ele pediu que a publicação se limitasse a desmentir a informação, sem dar a impressão de conflito de interesses. A jornalista concordou e, horas depois, enviou o link da reportagem, dizendo: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não tem pressa. No seu tempo. Não publicarei sem nos falarmos.” Em 10 de abril, ela encaminhou o rascunho de uma comparação entre os balanços do BRB e do Master. Vorcaro sugeriu incluir as carteiras de crédito dos fundos para elevar o valor apresentado, citando R$ 52 bilhões, e a alteração foi incorporada. No dia seguinte, Tahan também submeteu a ele um texto sobre uma reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, perguntando se havia observações antes da publicação.
O poder de interferência voltou a aparecer em 27 de maio de 2025, quando Tahan enviou uma prévia de reportagem sobre a compra de ativos do Master pelo BTG Pactual, incluindo referências ao Hotel Fasano, à Light, ao Pão de Açúcar e à Hapvida. Vorcaro pediu a retirada da menção à Hapvida, e a jornalista concordou. Em 28 de julho, ele também sugeriu mudar o título de uma matéria sobre documentos entregues pelo Master ao Banco Central para viabilizar a venda ao Banco de Brasília (BRB). Em vez de destacar uma etapa final da compra, pediu que a manchete apontasse que o BC deveria aprovar a operação nos dias seguintes. Tahan fez a alteração, que foi aprovada por ele. A operação acabou vetada pelo Banco Central em setembro de 2025, e o Master foi liquidado em novembro daquele ano.
Em outra conversa, Vorcaro pediu a Tahan que reduzisse o espaço dedicado a Ricardo Cappelli, candidato do PSB ao governo do Distrito Federal e crítico da transação entre o Master e o BRB, que cobrava uma intervenção na instituição. “Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o banqueiro. A CEO respondeu: “Deixa comigo”. Já em 22 de outubro de 2025, ela enviou a Vorcaro o rascunho de uma reportagem intitulada “Repactuação entre Oncoclínicas e Master permite que CDBs sejam convertidos em ações” e perguntou se a publicação causaria algum incômodo. Ele respondeu: “Sim! Pessoal da oncoclinicas é completamente maluco, soltou fato disso. Informação errada ainda”. Tahan decidiu não publicar o texto e escreveu: “Deixar quieto aqui”. As conversas foram extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal.







