Belo Horizonte, 19 de junho de 2026

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PF investiga ligação de Jaques Wagner com o Banco Master após suspeitas de repasses e apartamento de luxo

Apuração da Operação Compliance Zero analisa pagamentos, consultorias, uso de aeronaves particulares e a negociação de um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões
PF investiga ligação de Jaques Wagner com o Banco Master
PF investiga ligação de Jaques Wagner com o Banco Master - Foto: Carlos Moura/ Agência Senado

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A Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, tenha recebido benefícios relacionados ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A apuração integra uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18/06), e teve como base materiais encontrados com o ex-sócio do banco, Augusto Lima. Entre as suspeitas analisadas pelos investigadores estão repasses financeiros que somariam R$ 3,5 milhões, pagamentos por meio de uma empresa ligada à família do senador e a negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.

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Segundo a decisão que autorizou as diligências, a PF aponta que Jaques Wagner e Augusto Lima mantinham uma relação próxima e antiga, marcada por elevado grau de confiança. Para os investigadores, essa proximidade teria criado um ambiente favorável para discussões reservadas em defesa de interesses do Banco Master. O avanço das investigações ocorreu após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima. De acordo com os autos, a PF reuniu mensagens, áudios, registros de ligações, contratos, comprovantes de transferências bancárias, planilhas de pagamentos, documentos empresariais e dados extraídos de aparelhos apreendidos em etapas anteriores da operação.

A investigação apura se o senador teria atuado em favor de pautas de interesse do grupo financeiro. Entre os temas citados estão propostas para ampliar a margem de crédito consignado para trabalhadores da CLT, aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), além da autorização de empréstimos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e de programas federais de transferência de renda. Também são investigadas supostas articulações relacionadas à PEC 65/2023, que poderia impactar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e ações parlamentares ligadas à fiscalização da possível compra do Banco Master pelo BRB.

Em troca dessa suposta atuação, a PF investiga possíveis benefícios recebidos pelo senador e pessoas ligadas à sua família. Entre eles estão repasses que totalizariam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa vinculada ao enteado de Wagner, Eduardo Mendonça Sodré Martins, conhecido como Dudu, atual secretário de Meio Ambiente da Bahia, e à esposa dele, Bonnie Toaldo Bonilha. Os investigadores também apuram a negociação de um apartamento no condomínio Poeme Residence, no bairro Horto Florestal, área nobre de Salvador. O imóvel, identificado como unidade 1.702, é avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. Além disso, a PF cita o uso frequente de aeronaves particulares e a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, no valor superior a R$ 63 mil, pagos pela empresa Reag Investimentos para integrantes da família do senador. A operação também investiga pagamentos realizados a Bonnie Bonilha por meio de contratos de consultoria.

Nesta nova etapa da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal cumpre 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. Houve buscas em endereços ligados a Jaques Wagner e Augusto Lima, em Salvador, além de um hotel em Brasília onde o senador reside. Agentes também estiveram em um imóvel ligado a Eduardo Sodré Martins. Em nota, a defesa de Augusto Lima afirmou que as medidas eram desnecessárias, alegando que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades. Os advogados sustentam que os fatos investigados são lícitos e afirmam que ele sempre atuou dentro da legalidade, com transparência e observância das normas do sistema financeiro e da administração pública. A reportagem não localizou as defesas de Eduardo Sodré Martins e Bonnie Bonilha.