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Em menos de 24 horas, Belo Horizonte registrou dois feminicídios e uma tentativa de assassinato contra uma mulher. Os casos acontecem em meio a um cenário preocupante no estado, que já contabilizou 78 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), reforçando a gravidade da violência de gênero no estado.
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Na segunda-feira (20/07), uma capitã da Polícia Militar, de 41 anos, foi levada morta para um hospital pelo companheiro, um sargento da corporação de 37 anos. O corpo apresentava diversas marcas de violência e o militar foi preso em flagrante, sendo investigado por feminicídio. No mesmo dia, outra mulher, de 35 anos, foi encontrada morta dentro do apartamento onde morava, em Belo Horizonte. O namorado confessou o crime. Já na terça-feira (21), um homem foi preso suspeito de jogar a companheira do terceiro andar de uma casa no bairro Jonas Veiga, na região Leste da capital. A vítima sofreu escoriações após cair sobre o segundo pavimento do imóvel.
Os números mostram que os casos não são isolados. Entre janeiro e maio deste ano, Minas Gerais registrou 148 casos de feminicídio consumado ou tentado, sendo 63 mortes e 85 tentativas. Isso representa, em média, sete vítimas por semana ou uma ocorrência a cada 24 horas. No mesmo período, 70.544 mulheres procuraram as autoridades para denunciar algum tipo de violência, incluindo ameaças, agressões físicas, violência psicológica, perseguição e outros crimes previstos na Lei Maria da Penha. Na comparação com os cinco primeiros meses de 2024, quando houve 149 ocorrências de feminicídio consumado ou tentado, os números permanecem praticamente estáveis.
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Em todo o país, o cenário também preocupa. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (23/07), os feminicídios cresceram 4% em 2025, com 1.571 mulheres assassinadas por razões relacionadas à condição de mulher. Outras 4.189 sobreviveram a tentativas de feminicídio, um aumento de 5,9% em relação ao ano anterior. Na prática, isso significa que uma mulher sobrevive a uma tentativa de feminicídio a cada duas horas no Brasil, enquanto, para cada feminicídio consumado, são registradas, em média, 2,7 tentativas.
O levantamento também mostra que o feminicídio, na maioria das vezes, é o desfecho de um ciclo de violência. Para cada caso registrado no país, foram contabilizadas, em média, 501,9 ocorrências de ameaça, 182,2 casos de lesão corporal em contexto de violência doméstica, 84 descumprimentos de medidas protetivas, 78,8 casos de perseguição (stalking) e 38,7 episódios de violência psicológica. Os dados indicam que, antes da morte, muitas vítimas já haviam sofrido diferentes formas de violência, reforçando a necessidade de interromper esse ciclo antes que ele tenha um desfecho fatal.







