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O número de mortos nas enchentes repentinas no Nepal e no Tibete, na fronteira entre Nepal e China, chegou a 584 pessoas, segundo informações divulgadas pelas autoridades dos dois países nesta sexta-feira (28/08). No Nepal, a polícia informou 579 mortes, enquanto a emissora estatal chinesa CCTV confirmou outras cinco no lado tibetano. Mais de 1,5 mil pessoas continuam desaparecidas, e a expectativa é de que o número de vítimas aumente, já que equipes de emergência ainda não conseguiram chegar a algumas áreas remotas atingidas pelo desastre.
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As enchentes no Himalaia também deixaram mais de 90 mil pessoas afetadas, segundo a Cruz Vermelha. As operações de resgate chegaram a ser suspensas temporariamente após o rompimento das margens de um lago provocar o transbordamento da água e aumentar o risco de uma nova inundação repentina. O Nepal monitora dois lagos localizados acima da área atingida. Um deles começou a transbordar nesta sexta-feira (28), e as autoridades afirmam que o risco continuará até que os dois lagos escoem completamente. Imagens de satélite estão sendo usadas para acompanhar a situação, embora o monitoramento seja limitado pela disponibilidade das imagens.
A ameaça de novos deslizamentos de terra e enchentes dificulta ainda mais a busca por sobreviventes. Autoridades planejam instalar câmeras e sensores em áreas abaixo dos lagos, inclusive nas proximidades da cidade fronteiriça de Timure, com possibilidade de usar helicópteros para a implantação. Segundo David Fisher, chefe da delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal, existe preocupação com uma possível inundação secundária. Ele também relatou que a procura por sacos para cadáveres tem sido muito alta e afirmou que muitas pessoas atingidas continuam desorientadas, enquanto equipes de resgate e voluntários tentam alertar comunidades ainda em estado de choque sobre o risco de novas inundações.
Um porta-voz do Ministério do Turismo do Nepal informou que 117 turistas foram resgatados, sendo 85 indianos, 16 chineses, nove sul-coreanos, dois italianos e dois norte-americanos. As equipes trabalham para reabrir estradas bloqueadas e levar assistência às comunidades que ainda não receberam ajuda significativa. As autoridades da China e do Nepal também participam das avaliações sobre a origem do desastre. Análises preliminares apontam que a enchente no Himalaia pode ter sido provocada pelo colapso de uma geleira em uma região de grande altitude no Nepal. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, uma grande massa de gelo teria se desprendido de uma geleira e bloqueado temporariamente o curso de um rio. A água se acumulou atrás da barreira e, horas depois, avançou rio abaixo com força, provocando a inundação. Pesquisadores analisam imagens de satélite e dados coletados em campo para entender exatamente como o desastre começou. Na quarta-feira, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou ter detectado o colapso de uma geleira com magnitude 5,2, que provocou uma avalanche de detritos e atingiu comunidades da região.
Um dia após a avalanche que atingiu a região, um terremoto de magnitude 5,0 atingiu o Tibete, na China, nesta quinta-feira (27), segundo autoridades locais e o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ). O tremor ocorreu a cerca de 10 quilômetros de profundidade, no planalto tibetano, região com frequente atividade sísmica devido à movimentação das placas tectônicas. Até o momento, não há informações sobre mortos, feridos ou grandes danos materiais. Embora os eventos tenham acontecido em dias consecutivos, o epicentro do terremoto ficou a centenas de quilômetros ao norte das áreas atingidas pela inundação. Na quarta-feira (26), outro tremor de magnitude 4,7 também foi registrado em Nagqu, no Tibete, segundo a agência estatal chinesa Xinhua.







