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Os depoimentos de Monique Medeiros e do ex-vereador Jairinho marcaram mais um dia do julgamento sobre a morte de Henry Borel nesta terça-feira (02/06). Pela primeira vez publicamente, Monique afirmou acreditar que o então companheiro foi o responsável pela morte do filho, ocorrida em março de 2021. Ré no processo, ela disse que durante anos considerou a possibilidade de um acidente doméstico, mas que hoje tem uma visão completamente diferente sobre os acontecimentos daquela madrugada.
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Em seu interrogatório, Monique relatou que, na noite da morte de Henry, tomou um comprimido entregue por Jairinho e adormeceu. Segundo ela, horas depois foi acordada por ele, que dizia que o menino estava com dificuldades para respirar. Ao encontrar o filho desacordado, percebeu que ele estava “com o pé gelado e olhando para o nada”. A criança foi levada ao Hospital Barra D’Or, onde equipes médicas tentaram reanimá-la, mas a morte foi confirmada às 5h30. Monique também afirmou que nunca imaginou que Jairinho pudesse agredir Henry. Ela relembrou que, antes da morte, o menino passou a apresentar mudanças de comportamento, ficando mais triste, tendo episódios de vômito e chegando a tremer ao ver o então padrasto.
Ainda durante o depoimento, Monique negou ter pedido à babá de Henry que apagasse mensagens em que eram relatadas agressões contra a criança. Segundo ela, a orientação para excluir as conversas partiu da família de Jairinho. A ré afirmou ainda que familiares da babá trabalhavam para a família do ex-vereador, citando um tio da funcionária que seria motorista do coronel Jairo, pai de Jairinho.
Também interrogado nesta terça-feira, Jairinho afirmou aos jurados que acreditou que Henry estivesse engasgado na madrugada de sua morte e que, por isso, decidiu levá-lo imediatamente ao Hospital Barra D’Or. O ex-vereador declarou que encontrou o menino com dificuldade para respirar após ser chamado por Monique e negou ter deixado de prestar socorro. “Se fosse meu filho, e eu estava ali como se fosse meu filho, eu faria a mesma coisa. Eu levaria para o hospital”, declarou. Segundo ele, Henry já apresentava sinais de mal-estar desde que chegou ao apartamento após passar o dia com o pai, Leniel Borel. Jairinho afirmou que o menino vomitou, recusou alimentação e acordou diversas vezes durante a noite. Ele também disse que estava dormindo quando foi chamado por Monique o que contraria a versão dela. “Eu quero deixar claro que eu estou pela defesa da Monique, mas ela me acordou primeiro (na madrugada da morte de Henry)”, afirmou.
Ao falar sobre os momentos que antecederam a chegada ao hospital, Jairinho afirmou que tentou ajudar Henry durante o trajeto. “Eu sopro a boquinha dele porque eu tô achando que ele tá numa parada, começando a engasgar por conta de uma parada respiratória. (…) O meu socorro era o hospital”, disse. O ex-vereador também negou ter tentado impedir o encaminhamento do corpo ao Instituto Médico-Legal (IML). Segundo ele, um telefonema feito após a morte da criança tinha apenas o objetivo de agilizar os procedimentos burocráticos para a emissão da declaração de óbito. “Em momento nenhum eu falei assim: ‘não vai para o IML’. (…) Se a causa é indefinida, obrigatoriamente tem que passar para o IML.” Ele também negou agressões contra o menino, mas admitiu que aplicava uma “banda” em Henry como forma de brincadeira. “O pai da Monique, o irmão, a Monique (…) todos já viram eu brincando dessa maneira com ele. Não é dar uma rasteira. Banda é segurar a mão dele e passar a perna pelas pernas dele e deixar ele sentado no chão. Era uma brincadeira. Não era escondido”, declarou. O episódio aparece em diferentes depoimentos da investigação. Segundo relatos reunidos no processo, Henry contou à mãe, à babá e a pessoas próximas que Jairinho teria lhe dado uma “banda”. Em alguns relatos, a criança também afirmou ter recebido um chute e ouvido comentários de que estaria atrapalhando a vida da mãe. A acusação sustenta que esses episódios fazem parte de uma sequência de agressões sofridas por Henry nos meses anteriores à morte. Já a defesa de Jairinho afirma que os relatos foram interpretados de forma equivocada e que a “banda” era apenas uma brincadeira realizada na presença de familiares, sem intenção de machucar a criança.







