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Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prendeu nesta terça-feira (09/06) um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio Ministério Público suspeitos de atuar em favor do PCC. As investigações apontam que os alvos teriam participado de um esquema de vazamento de informações sigilosas, extorsão de investigados e até de um plano para matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em Campinas, no interior paulista. Além das três prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso.
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De acordo com o Gaeco, um dos focos da investigação envolve o chefe de investigadores que atuava na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas durante operações que apuravam um plano de atentado contra um promotor e um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes. Nos últimos meses, os investigadores descobriram que, uma semana antes da Operação Pronta Resposta, um dos principais suspeitos de executar o atentado contra o promotor se reuniu com o policial. Vídeos encontrados durante as apurações registraram o encontro às vésperas da ação que acabou frustrando o suposto ataque. Agora, o Gaeco busca esclarecer quais informações privilegiadas e sensíveis teriam sido repassadas ao criminoso em troca de dinheiro.
Outra frente da investigação revelou um esquema de extorsão que tinha como vítima um integrante de destaque da organização criminosa. Segundo o Ministério Público, o responsável pela cobrança seria um então estagiário do próprio MP, que trabalhava em uma Promotoria Criminal de Campinas. Os investigadores suspeitam que ele tenha se infiltrado propositalmente na instituição com objetivos criminosos. Utilizando bancos de dados e sistemas internos de pesquisa, ele teria identificado criminosos com alto poder financeiro e exigido dinheiro em troca de suposta proteção ou de informações sobre investigações em andamento. Entre os auxiliares do esquema estariam um policial penal e um ex-policial civil, também alvo da operação. Este último já havia sido expulso da corporação anos atrás por envolvimento em um caso de extorsão mediante sequestro.
As investigações também apontaram que parte das extorsões teria sido praticada pela internet a partir de um escritório de advocacia. Em um celular apreendido com Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, empresário preso em 2025 por suspeita de participação no plano para matar o promotor do Gaeco, foi encontrada uma cobrança de R$ 500 mil para que informações sobre suas atividades não fossem encaminhadas ao Ministério Público. A pessoa responsável pela mensagem dizia estar em Balneário Camboriú (SC), mas o Gaeco concluiu que se tratava de um advogado que, na época, atuava como estagiário em uma Promotoria Criminal de Campinas e acessava processos ligados à organização criminosa e a outros possíveis alvos de extorsão.
Os investigadores ainda apuram se algum dos criminosos chegou a pagar pelos supostos serviços oferecidos. A operação desta terça-feira busca reunir novas provas sobre o caso. Segundo o Gaeco, o então estagiário deixou a promotoria poucas semanas após as operações que tinham “Dragão” como alvo e passou a trabalhar em um escritório de advocacia na região de Campinas, local que também foi alvo de buscas. Por envolver integrantes da Polícia Civil e da Polícia Penal, a ação contou com a participação das corregedorias das duas corporações, além da Comissão de Prerrogativas da OAB nas diligências realizadas em escritório de advocacia. Em nota, o Ministério Público afirmou que os fatos seguem sob investigação e destacou que a atuação conjunta dos órgãos busca garantir transparência e fortalecer o serviço público.







