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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL) pode permanecer no país pelo tempo que desejar, mas descartou a possibilidade de se encontrar com o parlamentar por enquanto. A declaração foi feita no sábado (31/10), durante uma festa de Halloween no clube Mar-a-Lago, na Flórida. Na ocasião, Trump voltou a questionar o resultado da eleição presidencial brasileira, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e classificou o tratamento dado a Flávio como “mesquinho”.
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“Não tenho planos de me reunir com ele, mas ele foi tratado de forma mesquinha”, disse Trump aos jornalistas. Em seguida, o presidente norte-americano voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro. “A eleição foi uma desgraça, na minha opinião. Ele (Flávio) pode ficar aqui pelo tempo que quiser”, insistiu. A declaração ocorre em meio à tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, mesmo após uma conversa entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o principal diplomata brasileiro no mesmo dia. Nas redes sociais, aliados de Bolsonaro chegaram a sugerir que Trump teria ido à Flórida para encontrar o senador, mas a possibilidade não se confirmou.
Horas antes, Marco Rubio negou que o governo dos Estados Unidos tenha ajudado Flávio Bolsonaro a deixar o Brasil, embora tenha confirmado que Trump autorizou a entrada do senador no país. Durante uma coletiva de imprensa às margens do G20, em Atlanta, Rubio afirmou: “Não facilitamos nada”. Segundo ele, as autoridades norte-americanas souberam que Flávio chegaria aos Estados Unidos e verificaram que ele possuía um visto. “Ouvimos que ele (Flávio Bolsonaro) chegaria nos EUA. Ele tinha um visto, e o presidente Donald Trump decidiu permitir a entrada dele”, justificou. Rubio também afirmou que o governo não participou dos preparativos para a saída do senador. “Mas não estamos envolvidos em nenhum dos arranjos que ele fez em termos de sair do país. Ao menos, o governo dos EUA não está envolvido diretamente em nenhum dos movimentos que ele fez”, insistiu. O próprio Flávio publicou um vídeo nas redes sociais para agradecer aos americanos pela cooperação, enquanto veículos de imprensa dos Estados Unidos divulgaram detalhes e nomes de pessoas da Casa Branca que teriam atuado para viabilizar a viagem.
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A chegada de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos também provocou questionamentos de parlamentares democratas contra o governo Trump. Na quinta-feira, jornais norte-americanos divulgaram que assessores em Washington tiveram papel decisivo na organização da viagem, incluindo a contratação do jato que transportou a família do senador da Argentina até Miami, com passagem pelo Equador. Diante das informações, quase 30 deputados democratas, integrantes do influente Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, enviaram uma solicitação formal de esclarecimentos ao Departamento de Estado. Entre os signatários está a deputada Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia. O documento busca entender como a viagem foi organizada e de que maneira o visto de entrada de Flávio foi concedido. O caso ganhou dimensão política nos Estados Unidos e passou a integrar as discussões relacionadas à eleição legislativa do país, enquanto Rubio e Trump enfrentam pressão por explicações.
Na carta, os parlamentares afirmaram que a população norte-americana e o Congresso têm interesse legítimo em saber se recursos diplomáticos e de imigração foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira. O grupo também destacou a necessidade de transparência diante de um processo judicial no Brasil, das relações bilaterais entre os dois países e da aplicação das políticas de imigração e diplomacia dos Estados Unidos. Os deputados apontaram que a viagem levanta dúvidas sobre as decisões do Departamento de Estado, o conhecimento das autoridades norte-americanas a respeito de uma ordem judicial brasileira e a possível participação de integrantes do governo antes ou depois da emissão dessa determinação. “A questão central é direta: o Departamento de Estado, a Embaixada dos EUA no Brasil ou qualquer outro órgão do governo norte-americano auxiliaram o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da restrição judicial brasileira — conforme noticiado — que o impedia de deixar o território nacional? Caso tal assistência tenha ocorrido, o Congresso precisa saber o que foi fornecido, quem autorizou, quando aconteceu e quais informações estavam disponíveis às autoridades norte-americanas naquele momento”, questionaram.







