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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (04/08) a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a decisão foi tomada em resposta à demora do governo brasileiro em conceder o agrément, autorização diplomática necessária para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Apesar da medida, o governo americano informou que a diplomata não será expulsa e poderá continuar no país, mesmo sem um visto válido.
O anúncio foi feito dez dias depois de o Itamaraty negar vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado. Eles foram apontados pelo jornal The Washington Post como integrantes de uma estratégia para questionar o sistema eleitoral brasileiro, acusação negada pelos Estados Unidos. O governo brasileiro já esperava uma reação de Washington diante da decisão.
Os Estados Unidos também afirmaram que o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o aval diplomático para a indicação do novo embaixador americano. De acordo com o Departamento de Estado, autoridades brasileiras teriam sinalizado que a autorização só deve ocorrer após as eleições presidenciais de outubro. O governo americano ainda declarou que não descarta adotar outras medidas. “Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas”, disse.
Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que adotará o princípio da reciprocidade diplomática. Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência classificou a decisão dos Estados Unidos como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” contra o Brasil e afirmou que os argumentos apresentados por Washington são “falsos”.
Haverá uma reunião, nesta quarta-feira (05), para discutir a melhor forma de responder ao ato do governo Donald Trump. Nos bastidores, diplomatas brasileiros classificaram a medida como uma “chantagem”. O Palácio do Planalto também declarou que o processo de concessão de agrément é confidencial, conforme a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, e argumentou que os Estados Unidos divulgaram o nome do indicado antes mesmo de formalizar o pedido ao governo brasileiro.







