Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Privatização da Copasa eleva custos e ameaça população mineira

Experiências em São Paulo e Amapá mostram aumentos de tarifas e problemas de abastecimento reforçando receio sobre impactos em municípios menores e periferias
Privatização da Copasa
Privatização da Copasa

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A proposta de privatizar a Copasa tem gerado forte rejeição popular em Minas Gerais e a pressão cresce porque muitos casos pelo Brasil mostram que, onde o saneamento foi privatizado, os custos para os consumidores subiram. Agora, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), tramita a PEC 24/23, que busca eliminar a exigência de referendo popular para a venda da Copasa, o que críticos dizem que silencia a voz do cidadão. A proposta acabou de passar pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e seguirá para Comissão Especial.

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Segundo pesquisa Quaest de dezembro de 2024, 51% dos mineiros são contrários à privatização da Copasa, enquanto apenas 37% se dizem a favor. Experiências recentes do saneamento no país mostram que privatizar não tem sido sinônimo de benefício coletivo. Em São Paulo, após a privatização da Sabesp, clientes industriais enfrentaram aumentos de até 18% nas tarifas, enquanto contratos com descontos foram rompidos, resultando em elevação de até 200% para alguns estabelecimentos. Além disso, moradores de diversas regiões, como o litoral sul e bairros da Grande São Paulo, têm enfrentado problemas no abastecimento desde a privatização da companhia.

No Amapá, em um curto período após a privatização, a tarifa foi aumentada três vezes. Em julho de 2024, apenas 14 dias após iniciar as atividades, a empresa anunciou um aumento de 12,23%. Já em julho deste ano, outro reajuste de 6,79% foi implementado. Em Minas, sindicatos e movimentos sociais afirmam que esses impactos atingem sobretudo os mais pobres, que dependem dos descontos sociais e de tarifas especiais que estatais oferecem, recursos que podem sumir sob gestão privada.

A tramitação da PEC da Copasa também tem sido comparada à PEC da blindagem, aprovada recentemente em Brasília, que limita o alcance de investigações contra parlamentares e foi amplamente rejeitada pela sociedade. Em ambos os casos, a crítica é a mesma: deputados e senadores estariam votando contra o que a população quer. Assim como a blindagem foi vista como um retrocesso para a transparência, a privatização sem consulta popular é considerada um passo perigoso para um serviço essencial como o fornecimento de água. Para especialistas e movimentos sociais, essa postura demonstra um distanciamento crescente entre representantes e representados.

Diante desse cenário, fica o questionamento: será que esse é mesmo o melhor caminho? Tudo indica que a privatização tende a elevar o custo real para quem paga, com impacto maior justamente nos municípios menores e nas periferias, onde a capacidade de investimento é mais limitada. Apesar das promessas de que as tarifas continuarão sendo aprovadas pelos órgãos reguladores mesmo sob gestão privada, a desconfiança é grande. Afinal, sem privatizar, a Copasa já teve reajuste médio de 6,42% para água e esgoto aprovado para 2025, reforçando o temor de que, com a venda, os reajustes possam se tornar ainda mais frequentes e custosos para a população.