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Summit Mulheres nas Profissões reúne 15 mil participantes e mais de 100 palestrantes em São Paulo; no Vale do Jequitinhonha, programa Dona de Mim alia microcrédito, capacitação e apoio para ampliar oportunidades para mais de 2 mil mulheres
Agência Minera Brasil
Mais de 100 palestrantes, 15 mil participantes e dois dias de debates dedicados ao papel e ao futuro das mulheres no mercado de trabalho. O Summit Mulheres nas Profissões, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil nos dias 4 e 5 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo, colocou em evidência temas como carreira, empreendedorismo, liderança, autonomia financeira e participação feminina na construção de novos caminhos para a sociedade.
O encontro também contou com as participações de Marina Silva e Simone Tebet, que abordaram a liderança feminina na política.
Mais do que reunir mulheres de diferentes áreas para compartilhar experiências, o Summit abriu espaço para iniciativas que procuram transformar esses conceitos em ações concretas. Entre elas está o Dona de Mim, programa criado pelo Grupo Mulheres do Brasil para estimular o empreendedorismo feminino e que ganhou uma experiência própria no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, por meio de uma parceria com a Sigma Lithium.
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A dimensão do encontro impressionou Lígia Pinto, vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da Sigma Lithium. Segundo ela, a capacidade de mobilização demonstra a força da união das mulheres em torno de uma agenda comum.
“Eu achei incrível que, em três meses, a Luiza teve a ideia, conseguiu o lugar e nós demos conta de colocar 15 mil pessoas aqui, trocando ideias em horário de expediente.”
Para Lígia, o resultado demonstra a disposição das participantes em discutir não apenas questões profissionais, mas também o papel das mulheres na construção do país.
Empreendedorismo como caminho para autonomia
O Dona de Mim nasceu dentro do Grupo Mulheres do Brasil, movimento que reúne quase 140 mil mulheres e atua em diferentes frentes.
“O Dona de Mim é uma iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil, que hoje tem quase 140 mil mulheres. É um movimento de mulheres que trabalha em diversas frentes, suprapartidária, que nasce muito da união das mulheres para trabalhar em várias frentes”, explica Lígia.
Entre essas áreas está o empreendedorismo feminino. A proposta é utilizar o acesso a recursos, capacitação e outras ferramentas como instrumentos para ampliar a autonomia das participantes.
“O Dona de Mim surge dessa ideia de que as mulheres podem empreender e é uma opção para elas, para a autonomia financeira, para combater a violência e enfrentar tantas questões. E deu certo.”
A iniciativa chegou ao Vale do Jequitinhonha por meio da parceria entre o Grupo Mulheres do Brasil e a Sigma Lithium e passou a incorporar características e necessidades específicas das mulheres da região.
Vale do Jequitinhonha como território de transformação
Ao comentar os projetos desenvolvidos pela organização, Alessandra Segantin, CEO do Grupo Mulheres do Brasil, ressaltou a importância do Vale do Jequitinhonha dentro da atuação do movimento.
“O Grupo Mulheres do Brasil tem mais de 200 projetos andando simultaneamente, mas o Vale do Jequitinhonha é o do coração.”
A relação com a região também foi construída por meio da presença e do contato direto com as participantes.
“Já estive lá três vezes e tenho uma paixão especial por todas aquelas mulheres.”
No território, o Dona de Mim passou a combinar microcrédito, acompanhamento, formação e mentoria, criando uma estrutura destinada não apenas à abertura de pequenos negócios, mas também à construção de autonomia.
Mulheres donas das próprias escolhas
Dani Chaves, coordenadora do Dona de Mim no Vale do Jequitinhonha, acompanha de perto o desenvolvimento das participantes e afirma que os resultados começam a aparecer após um processo contínuo de apoio.
“É maravilhoso tudo que a gente tem visto, tudo que a gente tem plantado e agora está florescendo.”
Segundo Dani, uma das características do programa é reconhecer capacidades que já existem entre as mulheres e criar condições para que elas possam desenvolvê-las.
“São mulheres incríveis, habilidosas, mulheres aguerridas, mulheres de muita fé e que têm muitas habilidades e que, no programa, elas têm se descoberto.”
Para a coordenadora, as transformações proporcionadas pelo projeto ultrapassam a dimensão financeira.
“Elas têm construído essa nova versão, donas de si, donas do seu negócio, de suas ideias, de suas vontades. Então, tem sido incrível esse processo.”
Mais do que microcrédito
A parceria com a Sigma Lithium levou ao Vale do Jequitinhonha um modelo de microcrédito no qual os recursos permanecem no fundo e podem beneficiar sucessivamente novas empreendedoras da região.
A empresa realiza o aporte e, à medida que as próprias participantes devolvem os recursos, o mecanismo continua funcionando. Dessa forma, o investimento inicial pode se multiplicar ao longo do tempo e alcançar outras mulheres.
Atualmente, o programa reúne mais de 2 mil mulheres, acompanhadas por meio de mentorias e programas de formação. A expectativa é alcançar 3 mil participantes no próximo ano.
A experiência no Vale também ampliou a compreensão sobre o que significa apoiar uma empreendedora. O acesso ao dinheiro é uma das ferramentas, mas o programa também trabalha para que as participantes identifiquem suas vocações e transformem habilidades em atividades capazes de gerar renda.
Segundo Lígia Pinto, a nova fase do Dona de Mim pretende aprofundar essa capacidade de escuta e ampliar a presença territorial, chegando a mulheres que estão fora dos centros urbanos onde o acesso ao programa é mais fácil.
A proposta é levar formação e acompanhamento diretamente às comunidades rurais de Araçuaí e Itinga.
“Essa nova fase é mais qualitativa, de entender onde estão as mulheres com vontade de empreender”, afirma Lígia.
A experiência apresentada durante o Summit demonstra como uma agenda discutida em um grande evento nacional pode assumir outra dimensão quando encontra territórios, pessoas e iniciativas capazes de transformar conceitos em ações.
No Vale do Jequitinhonha, o empreendedorismo feminino vem sendo trabalhado não apenas como alternativa de geração de renda, mas também como instrumento de autonomia, fortalecimento de redes e construção de novas possibilidades para as mulheres da região.
A combinação entre crédito, conhecimento, escuta e apoio faz com que o Dona de Mim ultrapasse a oferta de microcrédito e avance na formação de uma rede em que a autonomia conquistada por uma mulher pode abrir oportunidades para muitas outras.







