Belo Horizonte, 18 de agosto de 2026

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Debate para governador de Minas Gerais tem embates, acusações e declarações polêmicas entre candidatos

Primeiro confronto eleitoral de 2026 teve discussões sobre segurança pública, dívida de Minas, Cemig, corrupção e até admissão de Kalil sobre plano de governo
Foto: Júnia Garrido/ Band Minas

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Cinco candidatos ao governo de Minas Gerais participaram, neste domingo (16/08), do primeiro debate televisionado da disputa pelo Palácio Tiradentes nas eleições de 2026. Promovido pela Band, em Belo Horizonte, o encontro reuniu Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD). Patrus Ananias (PT), que também havia sido convidado, não participou. Segundo a assessoria, o candidato estava em São Bernardo do Campo (SP), onde participou do lançamento da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e não havia voo comercial em tempo hábil para o retorno a Belo Horizonte.

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O debate foi dividido em quatro blocos, com perguntas feitas pelo mediador e por jornalistas, além de confrontos diretos entre os candidatos. Cleitinho e Mateus Simões, que ocupam cargos públicos atualmente, foram os principais alvos dos adversários. Um dos primeiros embates ocorreu entre Mateus Simões e Alexandre Kalil, que discutiram feminicídio e violência contra a mulher. Simões questionou declarações dadas por Kalil em 2022 sobre violência doméstica, quando era prefeito de Belo Horizonte e afirmou que o tema não estava sob sua alçada e que a responsabilidade caberia ao governo estadual. O ex-prefeito de Belo Horizonte respondeu direcionando as críticas para a segurança pública de Minas Gerais, citando a falta de policiais, a política salarial da categoria e problemas na estrutura de proteção às mulheres. “Uai, Mateus, você está em Nárnia? Falta sete mil policiais no efetivo da polícia. Ela é a polícia mais mal paga do país”. Kalil também mencionou ações de sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte, como a Casa Sempre Viva, voltada ao acolhimento de vítimas de violência. Simões rebateu dizendo que Kalil tentava transferir a responsabilidade do problema para as forças de segurança e defendeu a atuação do atual governo. O governador destacou que as polícias Militar e Civil são comandadas por mulheres e citou a ampliação de delegacias especializadas e programas de acompanhamento de vítimas de violência doméstica. Na tréplica, Kalil voltou a defender as medidas adotadas quando era prefeito e afirmou que elas produziram resultados concretos, além de manter as críticas à estrutura de segurança e atendimento às mulheres no estado.

A dívida de Minas Gerais com a União também ocupou parte importante do debate. Cleitinho defendeu o voto favorável ao Propag, programa de renegociação das dívidas dos estados, e foi questionado por Kalil sobre a aprovação do acordo no Senado. “O que aconteceu foi uma agressão a Minas Gerais por parte do Senado. Por que você assinou? Você aprovou sem ler?”, perguntou Kalil. Cleitinho respondeu que o projeto era um mal necessário e afirmou que, se for eleito, pretende negociar com o próximo presidente da República, independentemente de quem ocupe o cargo. Minas Gerais aderiu ao Propag no fim de 2025 para refinanciar a dívida com a União, e o senador defendeu uma nova negociação para diminuir o impacto do débito sobre as contas estaduais. Mateus Simões afirmou que a atual gestão já conseguiu reduzir parte da dívida e defendeu a continuidade das tratativas com o governo federal. O governador também criticou a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que Minas não recebe, em investimentos, valores proporcionais aos recursos enviados à União. Simões ainda cobrou mais rapidez na análise das propostas apresentadas pelo estado para o pagamento da dívida.

Outro confronto envolveu a Cemig. Cleitinho questionou Gabriel Azevedo sobre a possibilidade de privatização da estatal. O candidato do MDB afirmou que não pretende vender a empresa caso seja eleito. Cleitinho se declarou contrário à privatização por causa dos lucros da companhia, mas criticou o que chamou de “cabide de emprego e negociação política” e defendeu que parte dos resultados seja usada para reduzir as tarifas de energia para consumidores e produtores rurais. Gabriel concordou que a Cemig não deve ser privatizada e afirmou que a empresa “já está sendo privatizada” informalmente ao se transformar em um “feudo de indicação política”. Ele disse que, em um eventual governo, a estatal não seria privatizada e passaria a investir em tecnologia fotovoltaica, exploração de lítio e pesquisas em parceria com universidades para reduzir a conta de luz. Durante o embate, Cleitinho afirmou: “Acionista é igual cabeça de bacalhau: ninguém sabe, ninguém viu”. Gabriel respondeu fazendo um alerta sobre o entorno político do senador. Sem citar nomes, afirmou que existe “um político mineiro cujo sobrenome rima com Vorcaro” e acrescentou: “Você é um cara do bem. Muito cuidado com quem você se cerca”.

Alexandre Kalil também admitiu durante o debate que não leu integralmente o próprio plano de governo. A declaração ocorreu após Gabriel Azevedo questioná-lo sobre propostas para trabalhadores de aplicativos e apontar que o tema teria recebido pouca atenção no documento. “Que bom que você leu, porque eu não li, não. Eu li o resumo só”, afirmou Kalil. O candidato disse que prefere o contato direto com a população e lembrou que, durante sua administração em Belo Horizonte, buscou diálogo entre motoristas de aplicativo e taxistas. Ele negou ter atuado contra a categoria e criticou a postura “professoral” de Gabriel durante o debate. Na réplica, Gabriel afirmou que o comportamento de Kalil demonstrava dificuldade em lidar com divergências e apresentou propostas para trabalhadores de aplicativos, incluindo a criação de espaços de apoio em parceria com prefeituras. Kalil respondeu que suas críticas não tinham a intenção de desqualificar professores e voltou a questionar a trajetória política e a atuação pública do adversário.

Em outro confronto, Kalil escolheu Mateus Simões para discutir corrupção. O ex-prefeito afirmou que integrantes do atual governo costumam destacar a ausência de escândalos, mas deixam de lado investigações relacionadas à gestão estadual. Simões respondeu que o governo adota o afastamento imediato de servidores investigados por irregularidades e citou operações e casos que resultaram em exonerações. Em seguida, criticou Kalil e mencionou ações judiciais relacionadas ao uso de recursos públicos durante sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte. Kalil rejeitou as acusações, afirmou nunca ter respondido por corrupção ao longo da carreira política e contestou denúncias envolvendo o uso de aeronaves particulares. Também classificou acusações de nepotismo como infundadas e disse que a atual administração estadual teve entre seus integrantes pessoas investigadas ou afastadas por suspeitas de irregularidades. Na tréplica, Simões destacou indicadores de transparência obtidos pelo governo de Minas Gerais e afirmou que o estado avançou em mecanismos de controle e fiscalização da administração pública.

A segurança pública também foi tema de confronto. Cleitinho defendeu o fortalecimento das polícias de Minas Gerais e afirmou que pretende endurecer o combate às organizações criminosas. Segundo o senador, é necessário ampliar a estrutura e a inteligência das polícias Civil, Militar e Penal diante do avanço de facções para o interior do estado. “A facção vai para o quinto dos infernos, mas não vai ficar aqui mais”, declarou. Ao comentar uma resposta de Gabriel Azevedo sobre segurança, Cleitinho também se posicionou contra o uso de câmeras corporais por policiais. “Polícia não vai usar câmera”, afirmou. O candidato defendeu que os equipamentos sejam utilizados por fiscais que, segundo ele, “humilham o povo mineiro”, e também propôs reforçar a Polícia Civil com ferramentas de inteligência artificial.