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A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25/03), a Operação Fallax para investigar um esquema de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal que pode ultrapassar R$ 500 milhões. A ação tem como alvos o CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis, e o ex-sócio Luiz Rubini. Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Além disso, a Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 47 milhões em bens, incluindo imóveis, veículos e ativos financeiros, com o objetivo de enfraquecer a estrutura do grupo.
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Segundo a investigação, iniciada em 2024, a organização criminosa atuava de forma estruturada para obter vantagens ilícitas. Para isso, o esquema envolvia a cooptação de funcionários de instituições financeiras, que inseriam dados falsos nos sistemas bancários. Dessa forma, eram viabilizados saques e transferências indevidas. Em seguida, os valores eram movimentados por meio de empresas, inclusive ligadas a um grupo econômico específico, e ocultados com o uso de empresas de fachada.
Além disso, conforme apurado pela PF, os recursos desviados eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, dificultando o rastreamento. Paralelamente, a Justiça também autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas, o que amplia o alcance das investigações e permite mapear o fluxo financeiro do esquema.
Outro ponto destacado pela investigação é que, além do Grupo Fictor, o Comando Vermelho também teria utilizado a estrutura para lavagem de dinheiro. Os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão.
O caso também se conecta ao escândalo envolvendo o Banco Master. O Grupo Fictor chegou a anunciar a compra da instituição, com aporte imediato de R$ 3 bilhões e participação de investidores dos Emirados Árabes Unidos. No entanto, investigadores suspeitam que a negociação teria sido usada para encobrir a tentativa de fuga de Daniel Vorcaro, preso no mesmo dia no aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar em um jato privado. No dia seguinte, o Banco Central determinou a liquidação do banco. Meses depois, em fevereiro, o Grupo Fictor pediu recuperação judicial na Justiça de São Paulo, com dívidas de R$ 4 bilhões envolvendo suas empresas Fictor Holding e Fictor Invest.







