Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Consumo excessivo de remédios para dor de cabeça torna enxaquecas mais dolorosas

Dados do SUS revelam explosão nos atendimentos e alertam para efeito rebote causado pela automedicação frequente
Consumo excessivo de remédios para dor de cabeça piora enxaqueca
Consumo excessivo de remédios para dor de cabeça piora enxaqueca

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O uso exagerado de medicamentos para dor de cabeça, especialmente sem orientação médica, pode estar tornando as crises de enxaqueca ainda mais fortes e frequentes. Segundo o Ministério da Saúde, o número de atendimentos no SUS relacionados à doença mais que quadruplicou nos últimos dez anos. Entre janeiro e abril deste ano, já foram 109 mil atendimentos. Em 2024, no mesmo período, foram menos de 70 mil. Em todo o ano de 2024, o número chegou a 258 mil, bem acima dos 40 mil registrados em 2014.

Embora pareça inofensivo tomar um comprimido para aliviar a dor, especialistas explicam que esse hábito, quando repetido várias vezes ao mês, pode causar o chamado “efeito rebote”. Ou seja, ao invés de aliviar, o medicamento passa a provocar ainda mais dor. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que cerca de 5% da população mundial sofre com a chamada dor de cabeça medicamentosa, provocada justamente pelo consumo excessivo desses fármacos.

Para os médicos, o sinal de alerta é claro: se a dor de cabeça aparece três vezes ou mais no mês, é fundamental buscar ajuda profissional. Insistir na automedicação pode dificultar o diagnóstico correto e atrasar o início do tratamento adequado. Além disso, é preciso levar em consideração outros fatores que influenciam a dor, como o sono, a alimentação, o estresse e a prática de atividade física.

“O medicamento, a gente tem que pegar como um auxiliador. Nós temos que pensar em todas as outras questões que essa paciente deve fazer. Então, são mudanças no estilo de vida, no hábito de vida, que vão fazer com que essa melhora seja mais eficaz”, explica Clebson Gonçalves, farmacêutico do CR Dor Bom Retiro/SP.