Belo Horizonte, 23 de junho de 2026

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Atleta trans tem vitória anulada após vencer corrida em Marabá

Rayta Solaires cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na categoria feminina, mas teve o resultado desconsiderado pela organização e denunciou transfobia
Rayta Solaires denuncia transfobia na Corrida do Fogo em Marabá
Rayta Solaires denuncia transfobia na Corrida do Fogo em Marabá - Foto: Reprodução/ Redes sociais

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A atleta trans Rayta Solaires denunciou ter sido vítima de transfobia após ter seu resultado desconsiderado na Corrida do Fogo 2026, realizada no último domingo (21/06), em Marabá, no Pará. Rayta cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na categoria feminina de 50 a 58 anos, após completar o percurso de 7 quilômetros, mas afirma que foi informada posteriormente sobre sua desclassificação pela organização da prova.

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Segundo a atleta, esta foi a terceira participação dela no evento. Nas edições anteriores, quando terminou entre as primeiras colocadas, recebeu normalmente as premiações. Desta vez, porém, relata que foi impedida de ocupar o lugar mais alto do pódio após conquistar a primeira colocação. “Nos outros anos eu fiquei em segundo e terceiro lugar e nunca houve problema. Este ano, porque fiquei em primeiro, não quiseram me dar o pódio”, declarou ao portal Correio de Carajás.

O caso gerou repercussão nas redes sociais e levantou discussões sobre a participação de pessoas trans em competições esportivas. De acordo com Rayta, a Corrida do Fogo não possuía uma categoria LGBTQIA+, apenas divisões masculina e feminina. A atleta informou que registrou um boletim de ocorrência, pretende buscar medidas judiciais e defende a criação de categorias específicas para atletas LGBTQIA+ em eventos esportivos realizados no município.

O comandante do 5º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM) e organizador da corrida, tenente-coronel Felipe Galucio, declarou ao portal Correio de Carajás que não houve qualquer prática discriminatória. Segundo ele, a organização enfrentou uma situação não prevista de forma específica no regulamento da prova e utilizou como referência normas da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que atualmente restringem a participação de mulheres trans na categoria feminina em competições oficiais da entidade.

De acordo com Galucio, o regulamento da Corrida do Fogo previa inscrições nas categorias masculina e feminina com base no sexo biológico. Por esse motivo, a comissão decidiu invalidar o resultado da atleta na classificação feminina. O comandante afirmou ainda que a organização pretende discutir alternativas para as próximas edições do evento, incluindo a possibilidade de criação de uma categoria LGBTQIA+. Enquanto isso, Rayta informou que seguirá buscando o reconhecimento de seus direitos pelas vias administrativas e judiciais cabíveis.