Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Vereador de BH é investigado por fraude no registro de domicílio eleitoral

PF apura que Lucas Ganem nunca morou no endereço declarado na Pampulha, mesmo tendo transferido título para concorrer às eleições de 2024

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A Polícia Federal (PF) investiga suspeita de fraude no registro de domicílio eleitoral do vereador Lucas Ganem (Podemos), eleito em Belo Horizonte, após constatar que o parlamentar nunca morou na capital mineira. Segundo o inquérito instaurado pela PF, Ganem transferiu seu domicílio eleitoral de São Paulo para Belo Horizonte em fevereiro de 2024, declarando como residência um endereço no bairro Trevo, região da Pampulha, onde nunca havia residido. Agentes da PF realizaram diligências no imóvel e confirmaram junto à moradora que Ganem jamais morou no local.

A investigação, cujo relatório foi enviado ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) no dia 8 de outubro, teve origem em um processo iniciado no TRE-MG em outubro de 2024. O objetivo é apurar se a transferência do domicílio eleitoral teve como único propósito possibilitar a candidatura de Ganem a vereador, apesar de ele não ter histórico de residência na cidade. Natural de São Paulo e eleito com mais de 10 mil votos, Ganem ocupava até poucos meses antes da eleição um cargo comissionado na Prefeitura de Indaiatuba, no interior paulista, o que reforça o questionamento sobre seu vínculo com Belo Horizonte, conforme prevê a Lei Orgânica da capital mineira.

Durante diligência em agosto, agentes da PF visitaram o endereço registrado pelo vereador e conversaram com a esposa do proprietário do imóvel, o empresário Grijalva de Carvalho Laje Duarte Júnior. A moradora afirmou morar no local há 10 anos e declarou não conhecer Lucas Ganem, confirmando que ele “não reside e nem residiu no local”. O relatório da PF enviado ao TRE-MG ressalta que, de fato, Lucas transferiu seu domicílio de São Paulo para Belo Horizonte no início de 2024, mas nunca residiu no imóvel indicado, que continuava habitado pelo proprietário e sua esposa.

Além disso, a investigação aponta que a primeira conta de energia em nome de Ganem na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi ativada apenas no final de novembro de 2024, em um endereço no bairro Jardim Guanabara, e três meses depois outra conta foi aberta no bairro Nova Granada. Para a PF, esses registros podem indicar a data real em que o vereador passou a residir efetivamente na cidade, reforçando a suspeita de que a transferência de domicílio em fevereiro foi apenas formalidade eleitoral.

O ex-vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão (Podemos), ajuizou Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) no TRE-MG questionando o mandato de Ganem. Na petição, Rubão afirma que Lucas Ganem “não possui vínculo com a cidade de Belo Horizonte” e “tampouco teria efetivamente residido no endereço na Pampulha” que declarou à Justiça Eleitoral. Segundo a ação, não há contas de água, luz ou telefone no nome do vereador no imóvel e sistemas oficiais não associam Ganem a qualquer endereço em Minas Gerais, sugerindo que a transferência do título foi uma “simulação ardilosa para habilitar indevidamente a candidatura”, com pedido de cassação do mandato, inelegibilidade e anulação dos votos.