Ouça este conteúdo
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (17/12) o Projeto de Lei da Dosimetria (PL 2.162/2023), que pode reduzir penas de condenados pela participação nos atos de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. A proposta foi aprovada após cerca de seis horas de reunião, com 17 votos favoráveis e 7 contrários. O texto segue diretamente para o Plenário do Senado e já está na pauta de votação desta quarta, com previsão de ir à sanção presidencial caso seja aprovado.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
Mesmo após quatro horas de pedido de vista para análise do relatório do senador Esperidião Amin (PP-SC), houve divergência entre os parlamentares sobre quem será beneficiado pela mudança. O projeto prevê que, quando os crimes de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito forem cometidos em contexto de multidão, a pena possa ser reduzida de um terço a dois terços, desde que o condenado não tenha financiado os atos nem exercido papel de liderança.
Relator da proposta, Esperidião Amin afirmou que o texto, desde a tramitação na Câmara dos Deputados, busca “corrigir distorções” nas condenações relacionadas aos atos antidemocráticos do 8 de janeiro. Segundo ele, o projeto representa um primeiro passo para uma futura anistia e “traz um alento, sem acirrar os ânimos”. “Há um consenso de que a mão [nos julgamentos] foi muito pesada. A narrativa de se tratar de ‘blindagem ampla’ ou qualquer outra expressão que o valha não é verdadeira”, declarou.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que parte dos mais de mil condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) poderá ter maior liberdade em breve. Segundo ele, a proposta “vai mudar em praticamente nada” a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão. “Algumas pessoas vão poder voltar para casa muito em breve, ainda que num regime de semiliberdade, mas vão poder voltar a abraçar seus filhos. A gente não tinha que estar aqui discutindo dosimetria nem anistia, mas a anulação desse ‘justiçamento’”, disse, destacando que mudanças na lei penal mais benéficas se aplicam também a quem já foi condenado.
Já o senador Fabiano Contarato (PT-ES) alertou que a versão aprovada anteriormente na Câmara poderia beneficiar outros crimes ao reduzir o tempo mínimo de cumprimento de pena para progressão de regime, passando de 25% para 16,6% em alguns casos. Ele citou impactos em crimes como exploração da prostituição, organização armada sem violência ou grave ameaça, além de reflexos no Código Eleitoral e na Lei dos Crimes de Responsabilidade. Segundo Contarato, a emenda apresentada pelo senador Sergio Moro pode ter corrigido essas distorções. O pedido de audiência pública e os requerimentos para adiar a votação foram rejeitados, e os senadores aprovaram que as mudanças da emenda sejam tratadas como ajustes redacionais.







