Ouça este conteúdo
A Polícia Federal (PF) indiciou o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, e outras 16 pessoas suspeitas de integrar um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Belo Horizonte. Segundo o inquérito, empresários, servidores públicos, consultores e geólogos teriam atuado para manter a extração irregular de minério de ferro na Mina Granja Corumi por meio de fraudes em documentos ambientais e da influência sobre órgãos de fiscalização e licenciamento. Os investigados vão responder por crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais, usurpação de bens da União e tráfico de influência.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
A investigação foi desenvolvida no âmbito da Operação Parcours, instaurada após requisição do Ministério Público Federal para apurar a extração de minério em uma área tombada da Serra do Curral. De acordo com a Polícia Federal, a operação é um desdobramento da Operação Rejeito, que investiga um esquema mais amplo de crimes ambientais, corrupção e lavagem de dinheiro ligados à atividade minerária na região. As duas apurações compartilham provas e apontam conexões entre os investigados. Pela Operação Rejeito, outras 34 pessoas já haviam sido indiciadas, elevando para 51 o total de investigados nos dois inquéritos.
O relatório da PF aponta que a mineradora Empabra teria utilizado instrumentos como o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM) para simular ações de recuperação ambiental enquanto a exploração mineral seguia normalmente. Conforme a investigação, o grupo poderia ter faturado até R$ 2,3 bilhões com a atividade. A Polícia Federal também afirma que a extração causou danos à Serra do Curral, incluindo a destruição da nascente do Córrego Taquaril, abertura de cavas além dos limites autorizados, supressão de vegetação e possíveis impactos ao lençol freático. O inquérito ainda sustenta que relatórios técnicos teriam sido produzidos para ocultar a lavra ilegal, enquanto servidores da ANM e integrantes de órgãos ambientais teriam favorecido a mineradora por meio da aprovação de pareceres e da omissão em fiscalizações. Consultores também teriam atuado como intermediários entre a empresa e agentes públicos.
- Leia mais: PF conclui que Flávio Bolsonaro cometeu calúnia contra Lula em publicação nas redes sociais
As investigações também apontam que a Fleurs Global Mineração seria responsável pelo beneficiamento e escoamento do minério extraído ilegalmente. Segundo a Polícia Federal, o esquema não se limitava à Mina Granja Corumi. O chamado “Projeto Taquaril” previa expandir a exploração para outras áreas tombadas e embargadas da Serra do Curral com o objetivo de abastecer uma unidade de beneficiamento de minério. Ainda conforme o relatório, o grupo buscava influenciar decisões de órgãos responsáveis pelo licenciamento e fiscalização ambiental e mineral para obter pareceres e autorizações favoráveis, além de atuar para impedir o avanço do projeto de criação do Parque Nacional da Serra do Curral, medida que poderia inviabilizar os empreendimentos planejados para a região.







