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A Polícia Federal recebeu um pedido de instauração de inquérito para investigar Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da Go Up Entertainment, empresa envolvida na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A solicitação foi apresentada nesta terça-feira (09/06) pelo líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), que pede apuração sobre possíveis crimes como desvio de recursos públicos e parafiscais, superfaturamento, falsidade documental, lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e associação criminosa relacionados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama.
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Segundo a representação encaminhada à PF, o pedido tem como base reportagens do UOL e do Intercept Brasil, que citam auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU). De acordo com os relatórios mencionados, o Instituto Conhecer Brasil teria atuado como intermediário em projetos financiados com recursos do Sistema S. Entre 2017 e 2018, o Conselho Nacional do Sesi (CN-Sesi) repassou cerca de R$ 11 milhões ao instituto para iniciativas como a Feira da Cidadania, realizada em diversos estados, e o projeto Fórmula Truck Kids, no Distrito Federal.
As auditorias reproduzidas pelo Intercept Brasil apontam indícios de superfaturamento de pelo menos R$ 2,4 milhões nos contratos analisados. Os documentos citam possíveis irregularidades em despesas, contratações e repasses. Conforme os relatórios, apenas no Pará o sobrepreço identificado ultrapassou R$ 1,3 milhão. No Rio Grande do Norte, o prejuízo estimado foi de R$ 880 mil. Já no Piauí, foram registradas margens de lucro consideradas excessivas, chegando a 748%. No Distrito Federal, dos R$ 350 mil destinados ao projeto Fórmula Truck Kids, apenas R$ 80 mil teriam sido utilizados na realização do evento, enquanto R$ 270 mil teriam sido consumidos por superfaturamento, segundo a auditoria.
A CGU também apontou que o Instituto Conhecer Brasil não possuía funcionários registrados nem estrutura operacional compatível com a execução direta dos projetos financiados no período analisado. Conforme os auditores, a entidade repassava integralmente a realização das atividades para empresas terceirizadas. Ainda segundo os relatórios citados pelo Intercept Brasil, algumas dessas empresas também apresentavam estrutura limitada para cumprir os serviços contratados. As auditorias mencionam suspeitas de notas fiscais fraudulentas, entregas fictícias e sobrepreços milionários em contratos executados em Goiás, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão, Bahia e Distrito Federal.
Além das supostas irregularidades nos contratos, a representação apresentada pelo PT solicita que a Polícia Federal investigue possíveis conexões entre recursos administrados pelo Instituto Conhecer Brasil e a produção do filme Dark Horse. O documento sustenta que existem elementos suficientes para justificar a apuração sobre eventual relação direta ou indireta entre os contratos analisados pelos órgãos de controle e o financiamento da obra cinematográfica. A representação não apresenta conclusões sobre essa hipótese, mas pede que ela seja examinada pelas autoridades. Até o momento, a Polícia Federal não informou se abrirá inquérito para investigar os fatos relatados, decisão que dependerá da análise dos órgãos responsáveis.







