Belo Horizonte, 18 de agosto de 2026

A voz de Minas no portal que mais cresce!

Flávio Dino afasta sobrinho de Carlos Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Maranhão

Daniel Brandão ficará 180 dias afastado do cargo por decisão do ministro do STF em investigação que apura assassinato e suspeitas envolvendo suposto esquema de propina
Foto: Divulgação

Ouça este conteúdo

0:00

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou nesta segunda-feira (17/08) o afastamento de Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA) por 180 dias. Sobrinho do governador Carlos Brandão, Daniel é investigado em um inquérito que apura o assassinato de um homem em São Luís e possíveis relações com um suposto esquema de propina.

✅ Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp. 📲

Segundo a decisão, há indícios de “repasses financeiros, entregas em espécie, pagamentos indiretos e custeio de despesas” que teriam como objetivo esconder a participação de Daniel no caso. Dino também apontou o risco de que o cargo no TCE-MA fosse usado para beneficiar o próprio tio, já que o órgão é responsável pelo julgamento das contas do governador.

Daniel Brandão esteve no local onde ocorreu o crime minutos antes do homicídio, mas seu nome não apareceu na investigação conduzida inicialmente pela Polícia Civil. A principal linha investigada aponta que o assassinato pode estar relacionado a um pedido de propina atribuído a Daniel, que na época ocupava o cargo de secretário no governo de Carlos Brandão. Gilbson Cutrim Junior, apontado como autor do crime, foi condenado a 13 anos de prisão.

Dino também citou suspeitas de participação de Daniel em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares, no qual o governador Carlos Brandão seria apontado como líder. Na semana passada, o ministro autorizou buscas em endereços de empresas ligadas à família Brandão e de outras companhias que, segundo a Polícia Federal, seriam controladas pelos familiares por meio de “laranjas”. Daniel seria um dos administradores ocultos desses negócios.

O caso chegou ao STF após diálogos obtidos pela Polícia Federal indicarem que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) teria pressionado o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para impedir o avanço da investigação sobre o assassinato. Na sexta-feira (14), Dino retirou o sigilo de três decisões relacionadas ao inquérito. Carlos Brandão, que foi vice de Dino durante o governo do Maranhão, entre 2014 e 2022, rompeu politicamente com o ex-aliado e afirma ser vítima de perseguição política.