Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Morte de Preta Gil aos 50 anos após luta intensa contra câncer no intestino comove o país

Cantora enfrentou complicações graves, passou por cirurgias, internações prolongadas e buscou tratamento experimental nos EUA. Relembre sua trajetória:
Preta Gil morre aos 50 anos
Preta Gil morre aos 50 anos

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A cantora Preta Gil morreu neste domingo (20/07), aos 50 anos, em decorrência de um câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal ou de cólon. Diagnosticada em janeiro de 2023 com adenocarcinoma na porção final do intestino, a artista passou por um tratamento intenso que incluiu sessões de quimioterapia, radioterapia, diversas cirurgias e, por fim, uma tentativa com tratamento experimental nos Estados Unidos. Ao longo da luta contra a doença, ela enfrentou episódios graves de saúde, como sepse, perda de consciência e longas internações, mas seguiu demonstrando força até o fim.

Logo após o diagnóstico, Preta Gil iniciou o tratamento com quimioterapia e, no quinto ciclo, precisou ser internada em estado grave por causa de uma infecção generalizada. Ela ficou 20 dias na UTI, passou por oito sessões de quimioterapia e, em agosto daquele ano, foi submetida a uma histerectomia total abdominal para retirada do tumor, procedimento que também incluiu a remoção do útero e, posteriormente, do reto. Em novembro, ela passou por uma cirurgia de reconstrução intestinal e retirada da bolsa de ileostomia. Em dezembro, anunciou que estava livre das células cancerígenas, mas em agosto de 2024 revelou a volta da doença, agora com metástase.

Mesmo com a nova etapa da doença, a cantora seguiu lutando. Ela retomou a quimioterapia com o uso de uma bomba portátil, que permitia continuar o tratamento fora do hospital. No entanto, em novembro de 2024, precisou ser submetida a uma cirurgia de emergência devido a complicações no cateter urinário, o que levou à interrupção temporária da quimioterapia. Ainda naquele mês, Preta viajou aos Estados Unidos em busca de alternativas após o insucesso dos medicamentos. No dia 19 de dezembro, foi realizada uma cirurgia de 21 horas para retirada de cinco tumores, com nova colocação de bolsa de colostomia, desta vez definitiva. Os tumores atingiam linfonodos, estruturas que atuam na remoção de impurezas e na defesa do organismo; uréter, tubo que transporta a urina dos rins para a bexiga; e peritônio, membrana que protege os órgãos abdominais. Ela ficou dois meses internada e continuou o tratamento de forma ambulatorial até abril deste ano, quando voltou a ser internada. Em maio, seguiu novamente aos Estados Unidos para tentar um tratamento experimental.

Além da luta contra o câncer, Preta Gil construiu uma carreira marcante na música, televisão e nos bastidores da produção cultural. Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, nasceu em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, e foi afilhada de Gal Costa. Cresceu cercada pela arte e, desde cedo, trabalhou em grandes eventos como o Camarote do Carnaval de Salvador e também na agência DM9. Mais tarde, atuou na Dueto Produções com Monique Gardenberg. Aos 28 anos, resolveu se dedicar à música e, em 2003, lançou o polêmico álbum “Prêt-à-Porter”, que trazia uma capa com nudez e dividiu opiniões, inclusive do pai, que criticou o foco dado à imagem.

Preta também foi atriz, apresentadora e empresária. Ao longo dos anos, se destacou pela defesa de causas sociais e pela representatividade de corpos diversos, além de ser uma das vozes mais atuantes contra o preconceito. Mesmo diante dos desafios de saúde, compartilhava sua jornada com franqueza nas redes sociais, fortalecendo outras pessoas que enfrentam a mesma doença.