Belo Horizonte, 25 de abril de 2026

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Monges são flagrados com drogas e pornografia durante operação em monastérios da Tailândia

Durante retiro sagrado, monges foram surpreendidos com metanfetamina no templo; investigação aponta desvio de milhões em doações religiosas
monges budistas flagrados com drogas
monges budistas flagrados com drogas

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Uma operação policial realizada em templos budistas no norte da Tailândia expôs um novo escândalo envolvendo o clero religioso. Durante uma batida surpresa no monastério Wat Prathom, na província de Phichit, seis monges foram flagrados usando metanfetamina. Além disso, foram encontradas drogas, uma arma caseira, munição e até pornografia em celulares. A ação foi liderada por 30 policiais e fez parte de uma ofensiva simultânea em templos de 12 distritos da província.

O caso ocorreu durante o Retiro das Chuvas, um dos períodos mais sagrados do calendário budista. Dos 18 monges testados no templo, um terço teve resultado positivo para uso de metanfetamina. Todos os que foram identificados com a droga foram expulsos da ordem e encaminhados para centros de reabilitação. A operação, segundo autoridades locais, visa conter uma onda de crimes como tráfico de drogas, corrupção religiosa e chantagem que vêm sendo ligados a membros da comunidade budista.

O escândalo se conecta a uma investigação maior envolvendo a tailandesa Wirawan Emsawat, conhecida como Sika Golf, acusada de seduzir monges e políticos para obter influência nos templos. Ela é suspeita de desviar cerca de 385 milhões de baht (aproximadamente R$ 66 milhões) destinados a doações religiosas, utilizando os recursos para sustentar seu vício em jogos de azar. Wirawan foi presa em Bangcoc, no dia 15 de julho, e responde por lavagem de dinheiro, corrupção e receptação de bens roubados.

As investigações se intensificaram após o desaparecimento de um monge do templo Wat Tri Thotsathep, que mantinha um relacionamento com Wirawan. Na residência dela, a polícia encontrou mais de 80 mil arquivos pornográficos distribuídos em cinco celulares, com registros explícitos de relações entre monges, políticos e a própria mulher. Ela admitiu à polícia que usava o conteúdo para chantagear os envolvidos e relatou ter filhos com alguns deles.

Diante da gravidade dos casos, o Conselho Supremo Sangha, órgão máximo do budismo tailandês, anunciou a revisão de regras internas e prometeu punições mais severas. Já o Escritório Nacional do Budismo propôs penas de até sete anos de prisão e multa de 140 mil baht (cerca de R$ 24 mil) para monges que quebrem votos monásticos graves, como castidade e desapego de bens materiais. Civis que mantiverem envolvimento sexual com religiosos também poderão ser penalizados.