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O diretor comercial da Cemig SIM, Rubens Soalheiro, aparece como administrador de uma estrutura formada por empresas que movimentam participações milionárias, apesar de algumas delas terem capital social muito baixo. A estrutura está no radar de investigações que apuram possíveis movimentações financeiras relacionadas aos negócios de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, e do senador Ciro Nogueira. Segundo fontes próximas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, as investigações determinadas por ele devem ampliar, em Minas Gerais, a apuração sobre os negócios de Vorcaro e Nogueira dentro da Cemig SIM. A situação também é alvo de uma auditoria determinada pelo governador Mateus Simões.
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Segundo registros da Receita Federal, as sociedades são administradas por Rubens Soalheiro. Uma das empresas é a Saxum Gestão e Participações Ltda., que possui capital social de R$ 1 mil e é controlada integralmente pela M. Aro Participações e Empreendimentos Ltda. Esta, por sua vez, tem como sócio único Marcelo Guilherme Aro Ferreira, ex-secretário do governo Zema. A Saxum também aparece como sócia da Aroeira Agropecuária Ltda., com 70% das cotas, avaliadas em R$ 4,2 milhões, valor 4.200 vezes superior ao capital social da própria Saxum. Rubens Soalheiro é administrador estatutário da Aroeira. Outros 20% das cotas da empresa estão divididos entre Castellar Modesto Guimarães Neto, com R$ 1,2 milhão, e Bernardo Camaratti Ferreira, com R$ 600 mil. Castellar é apontado no material como número 2 na hierarquia da Família Aro e já ocupou cargos na FMF, CBF, Atlético, Prefeitura de BH, foi suplente do senador Carlos Viana e, até poucos dias atrás, era secretário da Casa Civil do governador Mateus Simões, cargo anteriormente ocupado por Aro. Bernardo Camaratti Ferreira também é descrito como integrante da cúpula da Família Aro e primo de Aro por parte de mãe.
A investigação sobre a estrutura empresarial considera a possibilidade de que empresas com capital reduzido tenham sido utilizadas para movimentar ou controlar ativos de valor muito maior. O chamado branqueamento de capitais corresponde à prática de ocultar a origem de recursos obtidos de forma ilícita, e a suspeita da Polícia Federal, segundo o material, é de que uma estrutura desse tipo possa ter sido usada para encobrir movimentações financeiras de grande volume por meio da Cemig SIM. No caso relacionado ao Banco Master, a investigação trabalha com a hipótese de um esquema de lavagem de dezenas de bilhões de reais. Parte da apuração identificou uma operação que teria repassado ao senador Ciro Nogueira R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão. Uma reportagem do portal O TEMPO, também apontou patrimônio superior a cem vezes esse valor, relacionado ao mercado de usinas fotovoltaicas mantidas por empresas de capital irrisório. Nesse modelo, segundo a investigação, empresas com capital de apenas milhares de reais poderiam controlar ativos avaliados em dezenas de milhões, sem que a origem dos recursos estivesse explicada. A hipótese é de que Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, precisava dar saída rápida a recursos captados junto a investidores em letras que, conforme essa versão da investigação, teriam movimentado até bilhões de reais. Nesse contexto, Vorcaro teria encontrado, por meio de Ciro Nogueira, uma brecha na Cemig SIM, que teria se transformado em canal para operações investigadas como lavagem de dinheiro.
Rubens Soalheiro também aparece como administrador da NPower Energia S/A, empresa que, segundo o material, remete novamente a Marcelo Aro e à M. Aro Participações e Empreendimentos Ltda., apresentada como uma camada societária que dificultaria a identificação do verdadeiro controlador do patrimônio. A Saxum, controlada pela M. Aro Participações, adquiriu recentemente 83% das cotas da Ducado Comércio de Produtos Alimentícios, enquanto as cotas de R$ 1,2 milhão são divididas com o sócio Guilherme Ferreira. Nos últimos 12 meses, a empresa também comprou 33% da rede de estacionamentos Atlas Park por R$ 50 mil, valor insuficiente até mesmo para comprar metade de um carro popular. A rede controla quatro estacionamentos no Centro de Belo Horizonte. Outra operação foi a aquisição de 50% das cotas da Esmeraldas Ville Empreendimentos Imobiliários, participação correspondente a R$ 162 mil. A empresa possui um terreno urbano de 317 mil metros quadrados no Centro de Esmeraldas, contabilizado em R$ 1 por metro quadrado. Corretores da região afirmam que seria impossível comprar o imóvel por menos de R$ 100 o metro quadrado na área mais nobre da cidade. No município, chácaras em áreas rurais são anunciadas por cerca de R$ 50 o metro quadrado e lotes urbanos chegam a R$ 200. As cotas adquiridas pela Saxum foram vendidas pela Liberdade Empreendimentos Imobiliários Ltda., que teria transferido um patrimônio avaliado em mais de R$ 15 milhões por R$ 162 mil.







