Belo Horizonte, 5 de junho de 2026

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Bolsonaristas defendem produtos Ypê após suspensão da Anvisa e acusam perseguição política

Apoiadores de Jair Bolsonaro, famosos e políticos passaram a incentivar a compra dos produtos da marca nas redes sociais após medida da Anvisa contra lotes com risco de contaminação microbiológica
Bolsonaristas defendem produtos Ypê
Bolsonaristas defendem produtos Ypê - Foto: Reprodução/ Redes sociais/ Montagem

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A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de recolher e suspender lotes de produtos da Ypê por risco de contaminação microbiológica virou alvo de disputa política nas redes sociais. Desde que a medida foi anunciada, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro passaram a defender publicamente a marca e acusar o governo federal de perseguição política. Parte dos internautas relacionou a decisão da Anvisa ao fato de os donos da empresa terem apoiado e feito doações para a campanha de Bolsonaro nas eleições de 2022.

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Nas redes sociais, bolsonaristas começaram a publicar fotos e vídeos consumindo apenas produtos da Ypê, mesmo após o alerta da Anvisa. “Estão tentando denegrir a imagem desta empresa por questões políticas. Deram um tiro no pé, agora somos todos Ypê”, escreveu uma pessoa no X. Outra afirmou: “Usando produtos Ypê com lote que a Anvisa divulgou estar contaminado há mais de uma semana sem nenhuma intercorrência. A partir de agora até o lava roupas será da Ypê. Cansada de viver nesse país”.

O movimento também recebeu apoio de famosos. O ator Júlio Rocha ironizou o caso em uma publicação no Instagram, enquanto a cantora Jojo Todynho declarou que continuaria utilizando produtos do lote suspenso. A repercussão transformou o assunto em uma espécie de campanha entre apoiadores de Bolsonaro, com publicações incentivando a compra dos produtos da marca.

Políticos ligados ao bolsonarismo também entraram na discussão e passaram a fazer defesa pública da empresa. O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Ricardo Mello Araújo, publicou um vídeo incentivando seguidores a comprarem produtos Ypê. “Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercados, vamos comprar produtos Ypê. Quem tem produtos Ypê, posta no Instagram, marca a Ypê”, disse. O deputado estadual Lucas Bove também criticou a agência reguladora e afirmou nas redes sociais: “Aqui em casa só produto Ypê, que é gente séria, gente direita, gente bolsonarista e, por isso, está sendo perseguida”. Já o senador Cleitinho ironizou a fiscalização da Anvisa em vídeo publicado nas redes. “Foi um lote que ‘tá’ problema, que tem que ser fiscalizado sim, que a saúde ‘tá’ sempre em primeiro lugar, mas vale com uma coincidência também [sic] que essa empresa, a Ypê, ela doou para a campanha do Bolsonaro. É só uma coincidência?”, indagou.

Em comunicado divulgado neste sábado (9), a Ypê informou que manterá interrompida a fabricação de detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes dos lotes terminados em número 1, mesmo após conseguir uma liminar suspendendo temporariamente a decisão da Anvisa. A empresa pertence à Química Amparo e é administrada pelos irmãos Waldir Beira Júnior, Jorge Beira e Ricardo Beira, herdeiros do fundador Waldyr Beira. Durante as eleições de 2022, integrantes da família doaram juntos R$ 1,5 milhão para a campanha de reeleição de Jair Bolsonaro.