Belo Horizonte, 20 de outubro de 2026

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Aplicativo CriaFoco transforma inquietações em decisões e ajuda a tirar ideias do papel

Aos 72 anos, Isaias Eufrosino explica os cinco passos do método que desenvolveu a partir de sua experiência de vida e revela como o projeto pretende unir criatividade, tecnologia e inteligência artificial
Aplicativo CriaFoco: Ferramenta para organizar ideias e definir prioridades
Aplicativo CriaFoco: Ferramenta para organizar ideias e definir prioridades - Foto: Arquivo pessoal

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O Portal G5 Minas conversou com Isaias Eufrosino, empresário de 72 anos e criador do CriaFoco, projeto que reúne um livro e um aplicativo voltados a ajudar pessoas a organizar suas inquietações, definir prioridades e transformar ideias em ações concretas. A iniciativa nasceu de experiências pessoais e profissionais acumuladas ao longo de décadas e busca oferecer um caminho para quem tem muitos planos, mas não sabe por onde começar. Para Isaias, o desafio atual é lidar com o excesso de informações e encontrar aquilo que realmente faz sentido fazer em cada momento. “O CriaFoco, está chegando de uma forma mais positiva, nesse momento em que as pessoas estão com as mentes muito cheias. Incrivelmente, nunca tivemos tanto acesso a informações e as mentes tão cheias de inquietação. Então, nesse sentido, o CriaFoco é uma ferramenta que parte para mapear as nossas inquietações, ter clareza daquilo que a gente pretende fazer e auxilia-nos a tomar decisões, melhores decisões, que podem transformar os nossos sonhos, o nosso foco em realidade”, explica. Além disso, o empresário avalia que o avanço da inteligência artificial amplia o acesso ao conhecimento, mas exige cuidado na hora de escolher os caminhos a seguir.

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A história do CriaFoco, segundo Isaias, começou muito antes de o aplicativo existir. Criado em uma família pobre da zona rural, na região do Vale do Jequitinhonha, ele relembra com muito carinho aquela que considera sua primeira experiência de empreendedorismo, aos sete anos. Isaias conta que gosta de revisitar essa lembrança, que revela como, ainda criança, já demonstrava um olhar empreendedor e buscava maneiras de transformar uma ideia em realidade. Na época, enquanto levava a marmita para o pai, que trabalhava na roça, percebeu as mamonas caindo e perguntou se elas poderiam ser vendidas. Com a confirmação do pai, começou a recolhê-las para que fossem comercializadas e, assim, conseguiu o tão desejado pacote de balas. “E assim começou a funcionar, e eu recebi um pacote de balas, e podia chupar as balas, dar para os coleguinhas balas também”, relembra. Anos depois, já empresário, Isaias dedicou mais de duas décadas ao estudo da criatividade, incluindo cursos e workshops no Brasil e uma experiência de formação na Buffalo State College, nos Estados Unidos. Foi nesse percurso que passou a relacionar os conhecimentos adquiridos com a própria trajetória. “Então, eu digo muito que o CriaFoco nasceu da minha experiência, da minha vivência. Não nasceu de uma metodologia. A metodologia veio potencializar a possibilidade de a gente compartilhar e de uma forma estruturada, por exemplo, transformar esse conhecimento em método. Mas o CriaFoco nasceu lá atrás.”

Na prática, o método é organizado em cinco etapas: inquietação, preparação, Tempo para o cérebro fazer conexões, produção de ideias e uso. Primeiro, a pessoa identifica o que está incomodando ou precisa ser resolvido. Em seguida, reúne informações relevantes sobre o assunto e dá tempo para que o cérebro estabeleça conexões. Depois, chega o momento de produzir possibilidades e, por fim, avaliar quais ideias fazem mais sentido antes de colocá-las em prática. Nesse processo, a preparação tem papel importante, pois, conforme Isaias, quanto mais informações relevantes são reunidas, maiores são as condições para desenvolver ideias consistentes. Ele também destaca que a criatividade não depende apenas de produzir muitas sugestões, mas de saber avaliar e escolher entre elas. “As ideias têm uma correlação muito grande com os fatos. Se você produz fatos relevantes, você vai lá na frente ter ideias relevantes.” Para ajudar nessa organização, o aplicativo conduz o usuário por cada etapa, evitando que ele pule diretamente para a execução sem avaliar outras possibilidades. Além disso, a ferramenta permite identificar obstáculos e oportunidades que poderiam passar despercebidos durante a elaboração de um projeto.

O desenvolvimento do aplicativo veio depois do livro “Quem quer mais CriaFoco”, publicado há cerca de nove anos, conforme relatado pelo empresário. A obra foi criada para compartilhar o conhecimento acumulado por Isaias e apresentar o método que ele já utilizava na prática. Antes da tecnologia, Isaias e outras pessoas que utilizavam o método trabalhavam de forma manual, com folhas grandes, cartazes e canetas coloridas para organizar ideias, analisar problemas e construir soluções. A partir dessa experiência mais analógica, surgiu a ideia de levar o processo para o celular, tornando o método mais prático e acessível para aplicação em projetos pessoais e profissionais. Entretanto, um dos principais desafios foi simplificar a experiência sem eliminar etapas importantes. “Então, o grande desafio foi: nós não queremos facilitar o caminho matando a metodologia.” O aplicativo também oferece caminhos diferentes para quem já sabe o que deseja realizar e para quem ainda precisa definir uma prioridade. Nesse segundo caso, o usuário começa mapeando suas inquietações e seleciona aquelas que considera mais relevantes. A partir daí, o CriaFoco ajuda a transformar uma reclamação em uma pergunta que permita buscar soluções. Em vez de se limitar a dizer que não tem dinheiro ou tempo, por exemplo, a proposta é perguntar de que maneira seria possível conseguir os recursos necessários para alcançar determinado objetivo.

Entre as novidades apresentadas pelo projeto está o chamado foco coletivo, recurso pensado para tornar reuniões empresariais mais produtivas. Segundo Isaias, a ferramenta permite reunir até 12 participantes em uma sala virtual, sem áudio ou vídeo, para trabalhar na resolução de um problema com etapas conduzidas pelo aplicativo. A proposta é permitir que todos contribuam com informações e ideias, sem que uma única pessoa concentre a discussão. Ao longo do processo, o grupo avalia as contribuições e identifica os caminhos considerados mais relevantes, podendo organizar os resultados em formatos de planejamento. Além disso, o projeto está desenvolvendo o Mister Foco, um agente de inteligência artificial especializado em ajudar as pessoas a definir prioridades e avançar na construção de projetos. A iniciativa está sendo trabalhada há mais de um ano, segundo o empresário, com participação de sua esposa, Glauciene Eufrosino, e de outras pessoas envolvidas no CriaFoco. A proposta, porém, não é deixar que a tecnologia escolha os objetivos dos usuários. “O foco não pode ser da IA. Quem tem que decidir o foco é você. Porque eu digo sempre, ‘foco tem dono e esse dono sou eu’”, afirma Isaias. Dessa forma, a inteligência artificial deve funcionar como apoio na busca por informações e no desenvolvimento das ideias, enquanto as decisões permanecem sob responsabilidade de cada pessoa.

Ao falar sobre o que espera de quem conhece o projeto, Isaias destaca a importância de aprender a formular corretamente um problema antes de tentar resolvê-lo. No método, essa etapa é representada pela sigla DQM, de “De que maneira”, uma forma de transformar uma dificuldade em uma pergunta que ajude a encontrar alternativas. Para ele, compreender essa estrutura e conhecer as cinco etapas do processo criativo são aprendizados que podem ajudar as pessoas a evitar decisões precipitadas e a escolher caminhos mais adequados aos seus objetivos. O empresário também informa que o canal do CriaFoco no YouTube disponibiliza gratuitamente um vídeo sobre as cinco etapas. Ao final, sua expectativa é que o conhecimento compartilhado pelo projeto ajude outras pessoas a organizar os próprios planos e avançar na direção do que desejam realizar. “Então, eu espero que as pessoas possam, definindo claramente para onde vai, redigindo isso corretamente, transformar as vidas, e é isso que eu mais sonho.”