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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu a inclusão do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), no inquérito das fake news. A solicitação foi feita por meio de uma notícia-crime enviada nesta segunda-feira (20/04) ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. O pedido, que corre sob sigilo, foi revelado pela Folha de S.Paulo e, em seguida, encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou. O caso envolve um vídeo publicado por Zema nas redes sociais.
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De acordo com o documento, Gilmar Mendes questiona um conteúdo em que um boneco imita o ministro Dias Toffoli em uma conversa fictícia. No vídeo, o fantoche pede que Gilmar derrube decisões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado, enquanto, em troca, haveria menção a uma “cortesia” em um resort. Além disso, o ministro afirma que o material utiliza recursos de edição sofisticados, com simulação de vozes, caracterizando o que ele classifica como “deep fake”.
O contexto citado envolve a empresa Maridt, da qual Toffoli já foi sócio e que teve participação vendida no resort Tayayá. A CPI do Crime Organizado havia determinado a quebra de sigilo da empresa; no entanto, a medida foi barrada por Gilmar em fevereiro deste ano. Por esse motivo, o ministro entende que o vídeo distorce fatos reais ao criar uma narrativa inexistente.
Na notícia-crime, Gilmar Mendes afirma que a publicação atinge a honra e a imagem do STF e de sua própria pessoa. Segundo ele, o conteúdo teria o objetivo de fragilizar a credibilidade da instituição e promover politicamente o autor, sobretudo porque foi divulgado em redes sociais com grande alcance. Além disso, o ministro ressalta que a simulação de diálogos entre integrantes da Corte reforça a gravidade do caso.
Romeu Zema reagiu nas redes sociais, afirmando: “Se um teatro de fantoches é visto como ameaça por Gilmar e Moraes é sinal de que a carapuça serviu”. “Os ministros não gostaram da nossa série ‘os intocáveis’. Beleza. Mas me processar por isso? O humor é usado para criticar o poder desde que o mundo é mundo”. O inquérito das fake news, aberto em 2019 por Dias Toffoli e atualmente relatado por Alexandre de Moraes, investiga ataques e disseminação de informações falsas contra o Supremo.







