Ouça este conteúdo
A defesa de Carla Zambelli recorreu à Justiça da Itália contra a extradição ao Brasil, após decisão que autorizou o envio da ex-deputada. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (10/04). Zambelli, que está presa na Itália desde 2025 e já foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tenta reverter a medida enquanto o caso segue para análise da Corte de Cassação, a instância mais alta do Judiciário italiano, que deve decidir em até seis meses. Depois disso, a palavra final será do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
No recurso, os advogados questionam pontos do processo e, além disso, levantam críticas ao sistema carcerário brasileiro. Ao mesmo tempo, a defesa também contesta a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, citando ainda “posíveis irregularidades processuais”. Com isso, a estratégia busca enfraquecer a decisão que autorizou a extradição.
Outro argumento apresentado diz respeito à tipificação do crime atribuído à ex-deputada. Segundo os advogados, a infração de natureza digital mencionada no caso não tem equivalente na legislação italiana, o que é um requisito essencial para que a extradição seja autorizada. Além disso, a defesa afirma que o pedido feito pelo Brasil não teria seguido os trâmites corretos, alegando que não foi formalizado pela autoridade competente à época. “Desde o início, apontamos falhas no processo, tanto na ausência de correspondência do ‘crime de hackeragem’ na legislação italiana quanto na forma como o pedido de extradição foi formalizado”, destacou o advogado Fábio Pagnozzi.
Com a análise agora nas mãos da Corte de Cassação, o processo entra na última etapa dentro do Judiciário italiano. Em seguida, caberá ao governo da Itália tomar a decisão administrativa final sobre a extradição, o que mantém o caso em aberto e sob avaliação das autoridades do país europeu.
A primeira condenação de Carla Zambelli no STF, a 10 anos de prisão, ocorreu por envolvimento na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023. Por ter dupla cidadania, ela deixou o Brasil e buscou asilo político na Itália, onde foi presa em Roma, em julho do ano passado. Em seguida, também foi condenada a 5 anos e 3 meses por porte de arma e constrangimento ilegal após perseguir um homem na véspera do segundo turno das eleições de outubro de 2022, o que levou o governo brasileiro a solicitar sua extradição.







