Ouça este conteúdo
O governo federal avalia o fim da chamada taxa das blusinhas, imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, após uma pesquisa indicar que 62% dos brasileiros são contra a cobrança. A possível mudança envolve plataformas como Shein, Shopee, Temu e AliExpress e já gera impacto no cenário político e econômico, especialmente em ano eleitoral, com reflexos diretos na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre consumidores de renda mais baixa.
Fique por dentro! Receba as notícias do G5 Minas em primeira mão no WhatsApp.
Além disso, a rejeição à taxa aumentou a pressão dentro do próprio governo para revisar a medida. Inicialmente, o imposto foi criado para regularizar as importações e reduzir a concorrência considerada desigual com o varejo nacional. No entanto, agora, o foco começa a mudar, já que há preocupação em melhorar a percepção do eleitorado. Ao mesmo tempo, setores da indústria e do comércio seguem defendendo a manutenção da cobrança como forma de proteger a produção brasileira.
Nesse contexto, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que uma eventual retirada da taxa teria impacto fiscal limitado. Segundo ela, a arrecadação anual, que gira em torno de R$ 2 bilhões, seria administrável dentro do Orçamento. Ainda assim, a discussão precisa avançar no Congresso Nacional, o que indica que a decisão não depende apenas do Executivo.
- Leia mais: Presidente da Colômbia defende PIX após críticas dos EUA e pede adoção do sistema no país
Enquanto isso, o mercado já reage a qualquer sinal de mudança. Após a possibilidade de revisão da taxa, ações de varejistas como Lojas Renner e C&A registraram queda superior a 4%, refletindo a preocupação do setor. Isso ocorre porque a redução de impostos tende a aumentar a competitividade das plataformas estrangeiras, o que pode pressionar margens e vendas de empresas brasileiras que atuam no segmento de moda acessível.
Por outro lado, mesmo que o imposto federal seja retirado, o ICMS estadual deve continuar sendo cobrado. Dessa forma, os produtos importados não ficariam totalmente isentos de tributos, o que limita a diferença de preços. Ainda assim, dados recentes mostram que, apesar da taxação, o consumidor brasileiro continua buscando alternativas mais baratas, mantendo o volume de compras internacionais em patamares elevados.







