Belo Horizonte, 20 de outubro de 2026

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PF investiga Flávio Bolsonaro e advogado por suspeita de lavagem de dinheiro

Inquérito enviado ao STF cita viagens internacionais, movimentações financeiras e conta no Santander ligada a empresa de Willer Tomaz
Foto: Reprodução/ Redes sociais

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A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas ligadas a ele e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o jornalista Aguirre Talento, do jornal O Estado de S. Paulo, o procedimento chegou à Corte em 8 de outubro e foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A investigação teve origem em uma apuração da Justiça Federal do Rio Grande do Sul sobre possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionados ao uso de plataformas de apostas.

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De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que Willer Tomaz seria o proprietário de fato da Rede Loto, uma empresa de apostas autorizada a operar no estado do Rio de Janeiro em maio de 2023. A análise dos dados armazenados na nuvem do celular do advogado revelou registros de encontros e viagens com Flávio Bolsonaro, incluindo passagens por Portugal, França e África do Sul. O relatório policial também menciona festas, reuniões e despesas de viagens do senador que teriam sido custeadas pelo advogado. Para os investigadores, a movimentação financeira atribuída a Tomaz é incompatível com as atividades econômicas declaradas por ele.

Outro ponto da apuração envolve uma conta bancária no Santander. Uma troca de e-mails revelada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, indica que Flávio Bolsonaro estava cadastrado como “usuário master” de uma conta vinculada à Alcazar Holdings, empresa de Willer Tomaz sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo a PF, esse tipo de perfil permitiria acesso e gerenciamento da conta. A offshore detinha um terço da empresa proprietária de um jato também ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, investigado por suspeitas de desvio de recursos de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), suborno de políticos e tráfico de seres humanos. Em maio de 2025, uma secretária de Tomaz solicitou a desvinculação de duas contas do perfil master da Alcazar, uma identificada com o nome de Flávio e outra com o do advogado. O Santander confirmou a desvinculação. Procurado, o senador negou ter compartilhado uma conta bancária com Tomaz, que também rejeitou qualquer vínculo financeiro ou societário entre os dois e disse “estranhar” a acusação.

Flávio Bolsonaro já é alvo de outro inquérito no STF, aberto em julho e sob relatoria do ministro André Mendonça. Nesse procedimento, a PF apura o financiamento da cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O encaminhamento da nova investigação à Corte ocorreu em razão do foro por prerrogativa de função do senador. A apuração também levou a medidas relacionadas a outras pessoas: Willer Tomaz foi alvo de busca e apreensão em agosto, durante a Operação “Sem Desconto”, que investiga suspeitas de fraudes no INSS. Em outra diligência mencionada no caso, autorizada por Alexandre de Moraes, o alvo foi Pradera, ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e não Flávio Bolsonaro. Em nota, o STJ informou que afastou e exonerou servidores suspeitos de irregularidades e vazamento de informações, além de abrir procedimentos administrativos para apurar possíveis infrações. As medidas criminais seguem sob sigilo.

Willer Tomaz negou ter obtido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais e pareceres do Ministério Público Federal, assim como rejeitou a acusação de interferência em manifestações do órgão. A defesa do advogado afirmou desconhecer o relatório da PF citado nas notícias e criticou a divulgação seletiva de informações durante a campanha eleitoral, com menções a terceiros que, segundo os advogados, não teriam relação com os fatos investigados. Já a defesa de Flávio Bolsonaro declarou que a relação entre o senador e Tomaz é de amizade e classificou como ilação sem fundamento qualquer tentativa de associá-la a irregularidades. Os advogados também negaram que Flávio tenha mantido uma conta bancária na qual Willer Tomaz ou empresas ligadas a ele figurassem como usuário master.