Belo Horizonte, 4 de outubro de 2026

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Lula pede investigação após fechamento de embaixadas no Brasil

Suspensão de atividades por EUA, Austrália e Canadá antes do primeiro turno acende alerta no governo e leva caso ao TSE
Foto: LUIS DANTAS/DIVULGAÇÃO

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investigue a decisão dos Estados Unidos de suspender os serviços consulares no Brasil às vésperas do primeiro turno das eleições. O pedido será incluído em uma investigação que apura uma possível interferência externa no processo eleitoral. A medida norte-americana atingiu a Embaixada dos EUA em Brasília e os consulados em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. O governo dos Estados Unidos justificou a suspensão por “questões de segurança”, mas não informou quais seriam os riscos nem estabeleceu uma data para a retomada dos atendimentos.

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A decisão foi anunciada durante a madrugada de sexta-feira (02/10) e, posteriormente, Austrália e Canadá também suspenderam atividades diplomáticas em Brasília. O Reino Unido adotou uma orientação mais restrita e pediu que seus cidadãos evitassem participar de comícios políticos. No caso dos EUA, a interrupção vale por tempo indeterminado e norte-americanos que precisarem de atendimento emergencial foram orientados a não ir às instalações diplomáticas, mas procurar os oficiais consulares de plantão. O Departamento de Estado afirmou que a gestão do presidente Donald Trump colocou a segurança dos cidadãos norte-americanos como prioridade e que mantém contato com o governo brasileiro. “Estamos trabalhando em estreita cooperação com nossas contrapartes brasileiras para tratar de questões de segurança”, diz um trecho da nota. A pasta também afirmou que utiliza regularmente o Smart Traveler Enrollment Program (STEP) para comunicar cidadãos dos EUA sobre ameaças, eventos e mudanças no cenário local. “As Embaixadas e Consulados dos Estados Unidos no exterior utilizam regularmente o sistema de mensagens STEP, incluindo alertas, para informar os cidadãos americanos sobre ameaças, eventos e mudanças relevantes no contexto local”, disse. O sistema é usado para divulgar alertas de segurança, manifestações, emergências, alterações em recomendações de viagem e mudanças no funcionamento das representações diplomáticas.

A suspensão dos serviços ocorreu em meio a um reforço na segurança de prédios diplomáticos. O Batalhão Rio Branco, da Polícia Militar do Distrito Federal, deslocou equipes especializadas para proteger as instalações, sem prazo definido para o fim da operação. A Polícia Federal também realizou, na sexta-feira (2), buscas em São Paulo e no Entorno do Distrito Federal para apurar um possível planejamento de atos contra instalações diplomáticas dos Estados Unidos. Segundo a corporação, a ação foi preventiva e ocorreu dentro de uma investigação sigilosa feita em cooperação com agências de inteligência estrangeiras. “Trata-se de ação preventiva adotada em investigação sigilosa conduzida pela Polícia Federal e fruto da cooperação permanente com agências de inteligência estrangeiras”, destacou a PF, em nota. A corporação afirmou que não encontrou, até aquele momento, elementos que confirmassem os riscos apontados nem suspeitos ligados a organizações criminosas. “As medidas pertinentes foram prontamente adotadas, não tendo sido verificados até o momento elementos que corroborassem os riscos inicialmente apontados, tampouco identificados quaisquer suspeitos de envolvimento com organizações criminosas”, acrescentou. A PF informou ainda que “as investigações prosseguem com a análise dos equipamentos de comunicação e mídias apreendidos e eventuais outras providências necessárias”.

A Embaixada da Austrália em Brasília informou apenas que a suspensão ocorreu devido a “preocupações com a segurança”. A decisão dos Estados Unidos chamou atenção por ocorrer dois dias antes do primeiro turno e por atingir, ao mesmo tempo, a embaixada e os consulados no país. Segundo o texto-base, uma paralisação dessa dimensão foge do padrão adotado por Washington em episódios semelhantes nas últimas décadas e, historicamente, medidas desse tipo estiveram associadas principalmente a ameaças terroristas ou riscos concretos contra instalações norte-americanas no Oriente Médio, Norte da África e partes da Ásia. O Departamento de Estado, porém, não detalhou quais ameaças ou informações específicas motivaram a decisão e não vinculou oficialmente a suspensão ao processo eleitoral brasileiro.

Na reação política, a campanha de Lula levou o caso ao TSE por considerar que a decisão dos Estados Unidos deve ser analisada dentro da investigação sobre possível interferência estrangeira nas eleições de 2026. No Palácio do Planalto, segundo fontes citadas no texto original, a avaliação é de que a situação não deve escalar, mas o governo acompanha o cenário e considera a possibilidade de a medida estar relacionada a uma tentativa de provocar instabilidade interna ou demonstrar apoio, ainda que indireto, ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. A campanha também relaciona o episódio ao chamado Escudo das Américas, grupo apresentado como iniciativa de combate a facções criminosas, mas que, na avaliação atribuída ao governo brasileiro, poderia aumentar a pressão sobre o país e buscar interferir em assuntos internos.