Belo Horizonte, 31 de outubro de 2026

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MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro

Mensagens de celular, desvios de produtos químicos e suspeita de interferência em investigação estão entre os pontos citados pela acusação contra o influenciador fitness
Foto: Reprodução/Instagram; e reprodução/TV Globo

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador fitness Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. O pedido foi apresentado na quarta-feira (21/10), nas alegações finais do processo. Caso seja condenado, Cariani poderá receber uma pena de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, ele responde à ação em liberdade.

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A investigação apura um suposto esquema de desvio de produtos químicos usados na fabricação de drogas, especialmente cocaína e crack. Cariani foi indiciado pela Polícia Federal (PF) em dezembro de 2023 e se tornou réu em fevereiro de 2024. Além dele, o MP-SP também pede a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Fábio é apontado como responsável pela venda e pela intermediação do fornecimento das substâncias aos compradores de drogas. Já Rodrigo teria atuado na movimentação de recursos ilícitos, com depósitos em dinheiro e operações destinadas a dar aparência legal aos valores.

Segundo a Polícia Federal, uma empresa da qual Cariani era sócio, a Anidrol Produtos para Laboratórios, localizada em Diadema, na Grande São Paulo, teria fraudado vendas de insumos a empresas farmacêuticas para desviar os produtos ao refino de cocaína. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-SP, a empresa teria simulado vendas em 59 ocasiões para companhias que não haviam solicitado as substâncias. A denúncia também aponta que Cariani teria criado pedidos fictícios para justificar as retiradas. Em um dos episódios citados, ele teria autorizado, em 26 de fevereiro de 2018, a retirada fora do expediente de 100 litros de éter etílico e 50 quilos de cloridrato de lidocaína, produtos faturados à AstraZeneca. Os promotores afirmam ainda que foram apresentados à PF comprovantes de retirada com placas de veículos, documentos e habilitações falsos.

As alegações do Gaeco também apontam uma suposta proximidade entre Cariani e o policial civil Anadré Dziuba, que atuava na área de controle e fiscalização de produtos químicos. Segundo os promotores, mensagens encontradas no celular do empresário indicariam que ele recebia informações sobre diligências policiais, comentava situações investigadas e sugeria empresas que poderiam ser fiscalizadas. Para a acusação, essa relação teria sido usada para proteger a associação criminosa e prejudicar possíveis concorrentes na venda de insumos químicos. Os investigadores também afirmam que Cariani teria atuado para interferir em uma apuração anterior, buscando influenciar o arquivamento de um procedimento investigativo.

O Ministério Público sustenta ainda que as conversas obtidas no celular do empresário demonstrariam que ele sabia que os produtos químicos poderiam ser usados na fabricação de drogas. Segundo o Gaeco, em 11 de abril de 2019, ao ser questionado pelo policial sobre o controle de determinada substância, Cariani teria respondido que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”. Os promotores também argumentam que as mensagens indicariam que o empresário conhecia as falhas no controle das retiradas de produtos da própria empresa.