Belo Horizonte, 30 de outubro de 2026

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Assédio eleitoral dispara após vitória de Lula e denúncias passam de 2,3 mil

Publicações incentivam demissões por posicionamento político e boicotes a empresas; vereador do Paraná é pressionado pelo MPT a publicar retratação
Foto: Reprodução/Guilherme Kilter no X

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A campanha “Demita um petista” ganhou força nas redes sociais após o resultado das eleições presidenciais deste domingo (25/10), com mensagens de eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) incentivando a demissão de trabalhadores que declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, pequenos comércios que teriam apoiado a vitória do petista passaram a ser alvo de boicotes, com listas divulgadas em redes sociais, aplicativos de mensagens e até em um site que organiza os estabelecimentos por estado. Os nomes circulam em capitais como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além de cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais. Empresários relatam ameaças, mensagens hostis e medo de perder clientes após a divulgação das listas. A demissão de funcionários por posicionamento político é ilegal, e parte dos episódios já é investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).

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Os registros de assédio eleitoral no ambiente de trabalho chegaram a 2.364 denúncias em todo o país até a tarde desta terça-feira (27), segundo a Procuradoria-Geral do Trabalho (PGT). Entre janeiro deste ano e as 23h59 de domingo, haviam sido contabilizadas 1.937 denúncias. No entanto, mais de 400 novos casos foram registrados entre segunda-feira (26) e a tarde de terça-feira. De acordo com a PGT, a maioria envolve publicações nas redes sociais que incentivam a demissão de trabalhadores por terem votado em Lula ou afirmam que funcionários já foram dispensados por esse motivo. No Paraná, dois parlamentares que fizeram campanha para Flávio Bolsonaro usaram seus perfis para defender a dispensa de trabalhadores e foram denunciados ao MPT-PR pelo deputado estadual Requião Filho (PDT).

Um dos alvos é o vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), eleito deputado federal em 4 de outubro com a segunda maior votação da bancada paranaense. Em seu perfil no X, ele publicou relatos do que seriam declarações de pessoas supostamente demitidas por votar no PT e compartilhou uma imagem com a frase “Demitir petista, gostoso demais”. Em um vídeo, Kilter afirmou: “Dois dias depois da eleição do Lula, me parece que o movimento ‘demita um petista’ está mais forte do que nunca, e não sem razão. A maior crise da história do Brasil está batendo a porta e os empresários precisam se planejar”. Na sequência, declarou: “Se você precisa fazer um corte de gastos ou uma reestruturação na sua empresa comece pelos petistas”. Nesta terça-feira (27), o MPT recomendou que o parlamentar publique uma retratação no mesmo formato e canal utilizados anteriormente. O documento determina que ele informe que os trabalhadores têm o direito de escolher livremente seus candidatos e que os empregadores “não podem adotar qualquer medida de caráter retaliatório”. Procurado pela reportagem por volta das 16h30, Kilter afirmou que ainda não havia sido informado sobre a posição do órgão. O MPT alertou que o descumprimento da recomendação pode levar à adoção de outras medidas administrativas e judiciais.

A vereadora de Londrina Jessicão (PL), conhecida por defender pautas bolsonaristas, também é alvo de análise do MPT por publicações que incentivam demissões por motivação política. Eleita deputada estadual em 4 de outubro com a segunda maior votação para a Assembleia Legislativa do Paraná, ela escreveu nas redes sociais: “Você tem uma empregada que é petista? Demita! Seu barbeiro é petista? Troque de barbeiro. A porcaria do voto dele prejudica o seu negócio”. Segundo o Ministério Público do Trabalho, embora o assédio eleitoral ocorra com mais frequência por meio de ações diretas de empregadores ou de seus representantes, terceiros também podem ser responsabilizados por incentivar a dispensa de funcionários por razões políticas. A prática pode ser considerada discriminatória e resultar em condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.

Entre os estados com maior número de denúncias de assédio eleitoral relacionado ao trabalho, São Paulo lidera a lista, com 439 registros. Minas Gerais aparece em segundo lugar, com 232 denúncias, seguido pelo Paraná, com 220. Os dados foram disponibilizados pelo Ministério Público do Trabalho até as 17h30 desta terça-feira (27).