Belo Horizonte, 26 de outubro de 2026

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Lula é reeleito presidente após virar disputa contra Flávio Bolsonaro e garante quarto mandato

Petista saiu atrás no primeiro turno, ganhou mais de 10 milhões de votos e reverteu o resultado em Minas Gerais e em centenas de cidades brasileiras
Foto: Ricardo Stuckert / flickr.com/lulaoficial

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. O petista garantiu seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, de 2027 a 2030, com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 votos e 48,21% do adversário, conforme o resultado final divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vitória tem um marco histórico: desde a redemocratização, em 1985, nenhum candidato à Presidência havia conseguido terminar o primeiro turno atrás do concorrente e reverter o resultado para vencer a disputa final. Lula começou a segunda etapa da eleição com menos votos que Flávio, mas conseguiu mudar o cenário e encerrou a apuração com uma vantagem de 4.430.191 votos. Com mais de 98,2% das urnas apuradas, o presidente já registrava cerca de 51,75% dos votos válidos, consolidando a tendência que se confirmou no resultado final.

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A diferença entre os dois candidatos ficou ainda mais evidente na comparação entre os turnos. No primeiro, Lula recebeu 53.879.538 votos, enquanto Flávio Bolsonaro somou 56.104.503. Na apuração parcial divulgada com 99,96% das seções totalizadas, às 21h52 de domingo, o petista aparecia com 64.229.885 votos e o senador, com 59.812.670. Em outro balanço da apuração, os números de Lula foram apresentados como 64.225.485 votos contra 59.810.812 de Flávio, representando ganhos de 10.345.947 e 3.706.309 votos, respectivamente, em relação ao primeiro turno. Já no resultado final, Lula chegou a 64.256.232 votos, enquanto Flávio terminou com 59.826.041. Durante a apuração, levantamentos também registraram o avanço do petista de 53.879.538 para 64.256.232 votos, enquanto o adversário passou de 56.104.503 para 59.826.041. A diferença entre os resultados parciais e finais se deve aos diferentes momentos em que os dados foram contabilizados. No balanço feito com 99,9% das urnas apuradas, o crescimento de Lula foi associado tanto aos votos de candidatos que ficaram de fora do segundo turno quanto à participação de eleitores que não compareceram à primeira votação ou haviam optado por votos brancos e nulos. O total de votos considerados novos para os dois candidatos foi estimado em 14.098.652, dos quais aproximadamente 73% foram destinados ao petista. Os candidatos derrotados na primeira etapa haviam recebido, juntos, 9.316.749 votos.

A participação eleitoral também mudou entre as duas etapas. No primeiro turno, 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas, número que caiu para 30.508.623 no levantamento utilizado na comparação, uma redução de 2.960.621 ausências, ou 8,85%. Os votos brancos passaram de 2.300.798 para 1.430.475, queda de 870.323 votos, equivalente a 37,83%. Já os votos nulos diminuíram de 3.674.249 para 2.723.288, uma redução de 950.961, ou 25,88%. No balanço final nacional divulgado pelo TSE, a abstenção ficou em aproximadamente 19,22%, com 30.509.005 eleitores ausentes, enquanto os votos brancos totalizaram 1.430.496 e os nulos, 2.723.305. Os números finais indicaram que 128.236.074 eleitores compareceram às urnas, de um eleitorado de 158.745.502 pessoas aptas a votar. A queda da abstenção e dos votos brancos e nulos foi apontada no levantamento como parte do cenário que contribuiu para o aumento da votação dos dois candidatos no segundo turno, especialmente de Lula.

O crescimento da votação de Lula ocorreu em todas as 27 unidades da Federação e também entre os brasileiros que votaram no exterior. Em números absolutos, os maiores avanços foram registrados em São Paulo, com mais 2.613.861 votos; Minas Gerais, com 1.144.582; e Rio de Janeiro, com 872.265. Proporcionalmente, o maior crescimento ocorreu em Goiás, onde a votação do petista aumentou 33%. O estado havia dado 12,3% dos votos válidos a Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno, quando o governador ficou fora da disputa presidencial final. Nas capitais, os maiores ganhos de Lula foram registrados em São Paulo, com mais 812.005 votos; Rio de Janeiro, com 373.874; Salvador, com 205.484; Brasília, com 149.597; e Belo Horizonte, com 149.091. Ao todo, o petista teve menos votos do que no primeiro turno em apenas 88 municípios. Flávio Bolsonaro, por sua vez, perdeu votos em seis estados: Acre, com menos 15.092; Amapá, menos 13.604; Roraima, menos 11.647; Maranhão, menos 9.562; Amazonas, menos 1.538; e Tocantins, menos 1.405. O senador também registrou queda em 950 cidades brasileiras e do exterior, que juntas representaram uma redução de 134.569 votos. O Maranhão concentrou 170 desses municípios, o equivalente a 79% das cidades do estado. A maior perda municipal ocorreu em Macapá, no Amapá, onde Flávio recebeu 3.785 votos a menos. Apesar disso, os maiores avanços do candidato do PL se concentraram no Sul e no Sudeste, principalmente em São Paulo, com mais 1.217.155 votos; Minas Gerais, com 455.722; e Paraná, com 346.099. Entre as cidades, os maiores crescimentos foram em São Paulo, com 337.176 votos adicionais; Rio de Janeiro, com 122.844; Belo Horizonte, com 74.351; e Curitiba, com 73.523.

Os três maiores colégios eleitorais do país tiveram papel importante no resultado nacional. Somados, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro deram a Lula aproximadamente 4,6 milhões de votos adicionais, cerca de 45% do crescimento registrado pelo petista entre os turnos. Em São Paulo, ele passou de 9.505.413 para 12.119.274 votos, aumento de 2.613.861, ou 27,5%. No Rio de Janeiro, avançou de 3.693.021 para 4.565.286, acréscimo de 872.265 votos, equivalente a 23,6%. Em Minas Gerais, a votação subiu de 5.188.936 para 6.333.518, ganho de 1.144.582, ou 22,1%. O estado mineiro teve uma virada importante na disputa: no primeiro turno, Flávio havia ficado à frente, com 5.777.548 votos contra 5.188.936 de Lula. No segundo, o petista passou à frente, com 6.333.518 votos, enquanto o candidato do PL recebeu 6.233.270 no levantamento estadual utilizado na comparação. Em Belo Horizonte, Lula ganhou 149.091 votos entre os turnos, enquanto Flávio avançou em 74.351. Em todo o país, 218 municípios que haviam dado mais votos a Flávio no primeiro turno passaram a registrar mais votos para Lula no segundo. O movimento contrário ocorreu em apenas cinco cidades. Os dados municipais e estaduais integram um levantamento da equipe de dados de O TEMPO, elaborado por Bruno Lopes e Wallace Graciano com base nos resultados do TSE, incluindo a parcial das 21h52, quando 99,96% das seções estavam apuradas.

Após a confirmação da vitória, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) celebrou a reeleição e agradeceu aos jovens, às mulheres, aos idosos e aos demais eleitores que apoiaram a chapa. “O futuro começa hoje. Queria saudar as mulheres, que fizeram toda a diferença, os idosos, que se sacrificaram e foram votar, e os homens também”, afirmou. Ao se dirigir a Lula, Alckmin destacou o papel do presidente na defesa da democracia e reafirmou o compromisso de trabalhar ao lado dele no novo mandato. “Meu profundo respeito. O senhor, pela segunda vez, salvou a democracia brasileira. Conte conosco, com humildade e senso de responsabilidade, para trabalharmos juntos e estarmos à altura da confiança do povo brasileiro”, declarou. No primeiro discurso após a reeleição, Lula agradeceu aos brasileiros e destacou a participação de pessoas que enfrentaram dificuldades para votar, além da mobilização de jovens em defesa da democracia. “Duas palavras: gratidão ao povo brasileiro”, afirmou ao iniciar sua fala à imprensa. O presidente também agradeceu aos partidos que participaram da campanha e à população pela “generosidade” demonstrada ao longo dos anos. Ele mencionou jovens que foram às ruas, idosos levados pelos netos para votar e pessoas com câncer e outras doenças que compareceram às urnas. Lula ainda destacou o que classificou como o menor número de abstenções e de votos nulos da história do país. Em outro momento, agradeceu ao deputado federal André Janones (Rede-MG) pelo trabalho durante a campanha. “Quero agradecer a esse companheiro aqui, o Janones. Nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite a moral da nossa tropa”, afirmou

Durante o pronunciamento, Lula também afirmou que a eleição representou uma derrota do negacionismo e da mentira. O presidente criticou a interferência de plataformas digitais no processo eleitoral e defendeu a regulamentação das empresas do setor, argumentando que as práticas criminosas na internet precisam receber tratamento semelhante ao aplicado no mundo fora das redes. “Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual na vida real”, declarou. Lula também afirmou que grandes empresas não podem direcionar o resultado eleitoral do país. A vitória nas urnas assegurou ao petista mais quatro anos na Presidência da República, em um mandato que começará em 2027 e terminará em 2030.